Domingo, 3 de Agosto de 2008  | Online

Diário de Bordo: São Paulo

A dimensão da megacidade por meio daqueles que pensam e agem para que ela seja menos hostil

Carlos Marchi


Para mim, a coisa começou logo depois que o tema da revista foi decidido. A primeira tarefa foi sair a campo para descobrir as boas fontes sobre o tema megacidades e recolher um número suficiente de dados, números e conceitos para subsidiar a pauta. Logo descobri que a Emplasa (Empresa Paulista de Planejamento Metropolitano) era o mapa do tesouro.

 

Lá fui apresentado aos grandes conceitos e às grandes linhas de idéias, além de me familiarizar com o jargão técnico. Lá ouvi falar pela primeira vez em Urban Age, em Metropolis, em European Mayors, em Saskia Sassen. Conheci técnicos competentes como Jurandir Fernandes, Juarez Brandão Lopes, Eloísa Rolim, Francisca Luíza Cardieri, Priscila Massoti e Helena Gasparian. Eles me aprofundaram no estudo das megacidades e geraram os primeiros grandes subsídios.

 

A segunda escala foi no Seade, já em busca de dados específicos sobre São Paulo. Ali conheci Felícia Madeira, Miguel Matteo, Aurílio Sérgio Caiado e Wagner Bessa, que interpretaram a dimensão de São Paulo para mim.

 

A terceira escala foi no Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), um extraordinário centro de estudos avançados multidisciplinar que pesquisa tecnologias capazes de melhorar a vida nas grandes cidades. Lá conheci Sérgio Angulo, Angelo Consoni, Agostinho Ogura, Wolney Castilho, Antonio Carlos da Cruz.

 

A quarta parada foi na USP, onde conversei com Regina Meyer, Geraldo Serra, Cynthia Ditchfield, Ricardo Hirata e Cláudia Ruberg, doutorada pela universidade paulista, mas hoje professora no Rio Grande do Sul. Na Unicamp, falei com a professora Lúcia Durrant e sua simpática equipe de pesquisas de biorremediação.

 

Mergulhei no lixo paulistano, que cresce montanhas a cada dia. Conheci Weber Ciloni, Ricardo Folloni, Fátima Borella. Visitei quatro aterros, dois inativos e dois ativos. No aterro de Caieiras, fui ciceroneado por Luzia Galdeano.

 

No Cempre (Compromisso Empresarial pela Reciclagem), conversei longamente com André Vilhena. No Cebrap, com Haroldo da Gama Torres.

 

Todas essas pessoas atuam como guardiães dos habitantes da grande cidade. O trabalho deles é pensar e agir para que a grande cidade seja menos hostil às pessoas que nela vivem.

 

Cada conversa durou pelo menos duas horas. Faço a conta: são 28 entrevistados. Dá, pelo menos, 56 horas de entrevistas, fora incontáveis conversas telefônicas, como a deliciosa entrevista em que José de Souza Martins, professor da USP, me revelou como São Paulo começou efetivamente a crescer, ainda no século 19.

 

Buscamos dados atraentes. Quantas latinhas de cerveja e refrigerante são descartados por dia na Grande São Paulo? Custou quase um mês apurar. Quantos bois e frangos a Grande São Paulo come por dia? Custou umas duas semanas.

 

Por fim, para conhecer esse gigante geográfico, resolvi fazer uma viagem por ruas secundárias, do extremo leste ao extremo oeste da mancha urbana contínua da Grande São Paulo. Em linha reta, seriam 80km; pelas ruas, o trajeto deu 130km. Este é o tamanho da nossa imensa megacidade.