Segunda-feira, 01 de setembro de 2008, 14:30 | Online
Marta diz que não infringiu a Lei de Responsabilidade Fiscal
Durante sabatina, candidata do PT à Prefeitura de São Paulo afirma que deixou a cidade com R$ 1 bi em caixa
Elizabeth Lopes e Anne Warth, da Agência Estado

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"Eu não infringi a lei, quero deixar isso bem claro. Tive as contas aprovadas pelo Tribunal de Contas, pela Câmara, mas, mais importante que tudo isso, tive o processo arquivado no Supremo Tribunal Federal (STF). Entreguei a cidade melhor que recebi, com superávit e dinheiro em caixa", afirmou, ao participar nesta manhã da primeira das sabatinas que o Grupo Estado promove com os candidatos que concorrem à Prefeitura.
"Isso para mim é página virada. Mas a propaganda contra que José Serra (então prefeito e atual governador do Estado) fez (contra sua administração) foi tão forte que as pessoas acreditaram. Tanto tinha recurso que tinha R$ 1 bilhão em caixa. Não precisava ter feito aquele carnaval que ele fez", acrescentou.
Marta declarou que o tucano Serra poderia ter renegociado contratos da gestão anterior, mas que não poderia ter deixado de pagar as empresas que prestaram serviços à Prefeitura. "Poderia ter renegociado contratos, poderia, mas teria que ter pago. Teve gente que quebrou, foi à falência. Foi algo absolutamente político", alfinetou.
Marta disse que Serra fez as acusações porque não tinha um projeto para a cidade quando venceu as eleições municipais de 2004. "Não fez, não porque não tinha dinheiro, mas porque não tinha plano e não queria fazer o que nós tínhamos deixado engatilhado."
Questionada sobre os processos que correm contra si na Justiça, Marta destacou que todo administrador público possui processos, mas que em seu caso, trata-se de processos administrativos movidos por vereadores da oposição. "Não tem nenhum de corrupção", ressaltou.
A candidata do PT disse que não tem preferência sobre o adversário que poderá enfrentar num eventual segundo turno. "Adversário a gente não escolhe, enfrenta. Não dá para escolher", limitou-se a dizer.
Questionada sobre se aceitaria um eventual apoio do ex-prefeito Paulo Maluf (PP) no segundo turno, respondeu que considera a situação difícil. "Todo enfrentamento que tive do Maluf impossibilita uma proximidade, eu acho que ali é muito difícil", concluiu.
Dívida do município
Marta disse que ainda não pensou numa eventual renegociação da dívida do município com o governo do presidente Lula, seu maior aliado nessa campanha eleitoral. "Acho muito difícil renegociação de dívida", disse ela, destacando que na ocasião em que foi prefeita da Capital, tentou uma renegociação com o ex-presidente Fernando Henrique e com o próprio Lula, mas ouviu dos dois que qualquer renegociação com São Paulo teria reflexos em outros municípios.
Apesar da afirmação, ponderou que a situação hoje no Brasil é diferente e que deverá conversar com o presidente Lula e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para ver se é possível uma eventual renegociação.
Durante a sabatina, Marta defendeu uma integração maior entre os municípios, destacando que a região metropolitana de São Paulo "é o coração do Brasil". Na sua avaliação, não é possível governar a cidade sem uma conversa com os administradores das cidades vizinhas. E avaliou como um sinal positivo o fato de o seu partido, o PT, estar com boas chances de vencer o pleito para as prefeituras de cidades importantes. "Isso facilita", destacou, ponderando que o PT ganhando ou não, é preciso conversar.
Outras sabatinas
As sabatinas do Grupo Estado têm transmissão ao vivo pela TV Estadão. O Portal Estadão divulgará flashes noticiosos e disponibilizará a íntegra dos vídeos, para consulta posterior. O segundo convidado será o ex-governador e candidato do PSDB Geraldo Alckmin. Pela ordem, virão em seguida o prefeito Gilberto Kassab (DEM) na quarta-feira, Paulo Maluf (PP) na quinta, Soninha Francine (PPS) na sexta e Ivan Valente (PSOL), que fechará o ciclo na segunda-feira, dia 8.
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