Sexta-feira, 05 de setembro de 2008, 11:40 | Online


Soninha desabafa, critica Câmara e diz não ser 'Joana D'Arc'

Falando como vereadora, candidata do PPS se diz decepcionada e afirma que sistema é do 'toma lá dá cá'

Bianca Pinto Lima, do estadao.com.br, Carolina Freitas e Elizabeth Lopes, da Agência Estado

Soninha Francine, candidata do PPS

Eduardo Nicolau/AE

Soninha Francine, candidata do PPS

SÃO PAULO - A candidata do PPS à Prefeitura de São Paulo, Soninha Francine, transformou a sabatina do Grupo Estado nesta sexta-feira, 5, em uma sessão de desabafo sobre os problemas que enfrentou nos quatro anos como vereadora da cidade. Segundo ela, não se vota projeto por relevância e o sistema que prevalece é o "toma lá dá cá". "Quem alegar ingenuidade ou desconhecimento depois de ser vereador deve ter sido dopado. Eu não sou a Joana d' Arc sozinha. Outros vereadores também se indispõem, como Carlos Neder (PT), Gilberto Natalini (PSDB) e Ricardo Montoro (PSDB)", disse citando outros exemplos como ela. Soninha afirmou ainda que pretende lançar um livro sobre a experiência no Legislativo: "Catálogo da desonestidade de A a Z". O vídeo com a sabatina pode ser visto na TV Estadão (clique aqui). 

 

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Soninha afirmou também que foi "isolada" na Câmara ao não dar apoio incondicional na eleição do atual presidente da Casa, vereador Antonio Carlos Rodrigues. "Existe sistema de pressão que faz muita gente desistir. A maior indisposição foi na eleição das mesas diretoras, nas duas últimas. Na penúltima, eu era do PT e foi feito acordo para ter chapa única na eleição de presidente da Casa e eu não concordei". E completou: "Não tendo votado nele eu fui abertamente retaliada, inclusive com declarações dele na imprensa. ele falando que eu ia ter mais dificuldade para provar meus projetos na Câmara." Ainda sobre a votação de projetos, ela disse que "nas comissões, vereadores deixam prosseguir projetos de colegas, como se fosse ofensa criticar". "É tanto constrangimento que faz muita gente desistir de se indispor. Todas as votações são combinadas antes."

 

Sobre os subprefeitos, Soninha criticou o loteamento que é feito para que os vereadores apóiem o prefeito. "O dever do prefeito é que siga bases republicanas. Se for fazer trocas por nomeações de subprefeitos. Eu digo: 'Ok, vou entrevistá-los, pedir o currículo, falar com a comunidade e, se forem aprovados, vocês se considerem fazendo parte da administração. Claro que isso não dá carta branca aos subprefeitos", afirmou caso seja eleita.

 

Saída do PT

 

Soninha disse que deixou o PT porque chegou à conclusão de que não se identificava mais com a legenda e nem representada por ela. "Depois que saí do PT, não queria entrar em partido nenhum, pois é óbvio que todos têm problemas e definem tudo por acordo político, mas o PPS me procurou dizendo que minhas características, essa minha indignação era o que eles queriam para melhorar e ter mais orgulho do partido. Então, achei interessante o discurso e vi também demonstrações desse discurso na prática", argumentou.

 

Questionada se pretende disputar as eleições em 2010, disse que sua pretensão é ser chefe do executivo municipal da cidade. "Tenho muito vontade de ser prefeita de São Paulo", emendou. Ao ser indagada sobre o segundo turno deste pleito, ela desconversou e teceu um longo comentário sobre os prós e contras do PT, PSDB e DEM (partidos com mais chances de estarem na disputa do segundo turno). Ela diz que o PSDB a irrita e não confia mais no PT. E brincou que se não for ao segundo turno, provavelmente irá meditar em algum lugar, como Fernando de Noronha.

 

Elogios a Kassab

 

Soninha elogiou o prefeito e candidato à reeleição, Gilberto Kassab (DEM) foi corajoso ao defender em plena campanha eleitoral o reajuste do IPTU na Capital com a finalidade de corrigir distorções. Na avaliação da candidata, é necessário fazer um ajuste neste setor porque existem injustiças onde uns pagam mais e outros menos. E disse que se for eleita, também fará esse ajuste: "Mas não é uma canetada da prefeita, precisa de estudos e de aprovação da Câmara (dos Vereadores) porque justiça é justiça."

 

Repovoamento do centro

 

A candidata disse que não é possível resolver o problema de trânsito sem redistribuir a população da Capital. Soninha propôs estimular os paulistanos a morar na região central, freando o crescimento das periferias, e diminuindo a necessidade de deslocamentos. "O trânsito não tem solução enquanto as pessoas precisarem de um imenso deslocamento diário."

 

Sabatinas

 

Na série de sabatinas do Grupo Estado, Marta Suplicy (PT) foi a primeira. Geraldo Alckmin (PSDB), o atual prefeito, Gilberto Kassab (DEM) e Paulo Maluf (PP) deram seqüência. Soninha Francine (PPS) foi a penúltima. Ivan Valente (PSOL) é o sabatinado na segunda, dia 8. Todos respondem a perguntas e apresentam suas propostas para as principais áreas da cidade. Logo após a transmissão, os vídeos das sabatinas podem ser vistos no estadao.com.br.


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