Política
quarta-feira, 12 de março de 2008, 16:55 | Online
Após crise, Jobim quer criar grupo de defesa sul-americano
Objetivo do ministro é evitar conflitos e reduzir a dependência das armas norte-americanas na região
Raymond Colitt - Reuters
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"Após essa ameaça de conflito, uma organização como essa se tornou absolutamente necessária como um mecanismo de prevenção", disse Jobim em entrevista à Reuters na noite de terça-feira, 11. O Brasil é, facilmente, o maior fornecedor de armas na América do Sul e poderia ganhar terreno contra os fabricantes norte-americanos se os governos da região se juntarem em assuntos de defesa.
Jobim afirmou que o conselho cortaria a dependência da América do Sul em fornecedores estrangeiros. "Se você depende de importações, o primeiro problema que você enfrenta são proibições de armas", Jobim disse, citando as dificuldades da Argentina em usar seus mísseis durante a Guerra de das Malvinas em 1982.
Ele espera começar as atividades do conselho na segunda metade do ano e vai se reunir com o presidente venezuelano Hugo Chávez nas próximas semanas para iniciar o processo.
A crise entre Equador, Venezuela e Colômbia, afinal resolvida com apertos de mãos durante uma cúpula na República Dominicana, fez com que o Brasil ficasse ainda mais preocupado com a polarização entre aliados dos EUA, como a Colômbia, e adversários, como a Venezuela.
Além de discutir um plano conjunto de defesa e questões estratégicas comuns, um dos objetivos do conselho é ajudar a reduzir a dependência da região em relação a indústrias armamentistas estrangeiras, especialmente as norte-americanas, segundo Jobim.
Autoridades brasileiras dizem ainda que caças comprados pelo Chile vieram sem mísseis por causa de restrições à transferência de tecnologia dos EUA. Em 2006, o Brasil queixou-se de que Washington havia proibido o país de vender aviões à Venezuela. Para evitar esse empecilho, segundo Jobim, a empresa Avibrás evita usar peças importadas dos EUA.
De acordo com Jobim, o Brasil está alterando suas prioridades de defesa - passando da fronteira sul para a Amazônia, o litoral e o espaço aéreo - e está adequando suas armas a essa realidade. Um estudo do governo sobre as novas prioridades ficara pronto em setembro.
Em abril ou maio, Equador e Bolívia devem assinar um acordo para usar o Sivam (Sistema Integrado de Vigilância da Amazônia) para o combate ao narcotráfico, ao desmatamento e a enchentes.
Exportação
A Colômbia usou aviões brasileiros no bombardeio contra um acampamento da guerrilha das Farc em território equatoriano, que desencadeou o recente conflito entre Venezuela, Colômbia e Equador. A Guarda Nacional da Venezuela também importou pistolas brasileiras. O Brasil espera, agora, ocupar determinados nichos do mercado bélico regional, exportando itens como blindados, pistolas, munições e um avião médio de transporte militar da Embraer, disse o ministro da Defesa, Nelson Jobim, na terça-feira, 11.
De acordo com o ministro, o país tem capacidade de fornecer serviços melhores e mais baratos que os concorrentes na América do Sul. "Esse setor não sobrevive só com compras públicas, precisa de exportações", disse Jobim à Reuters.
O Brasil espera ainda usar tecnologia adquirida numa aliança estratégica com a França, que prevê a construção conjunta de 50 helicópteros de transporte militar e de um submarino nuclear no Brasil. "Toda esta tecnologia que vamos adquirir será transferida para o setor privado", afirmou o ministro.
Um projeto de lei que Jobim pretende mandar para o Congresso dá incentivos à indústria bélica e deve incluir regulamentos mais rígidos para a venda de armas a países em conflito, segundo Jobim.
Jobim negou que seja candidato a presidente em 2010. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal é um político assertivo e adepto de ações que rendem imagens fortes - como uma foto recente, capa de vários jornais, na qual, fardado, segura uma jibóia na Amazônia. O ministro chegou ao cargo com a missão expressa de resolver a crise aérea iniciada em 2006. Mas, segundo ele, nada disso "dá votos."
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