Política
quarta-feira, 12 de março de 2008, 18:58 | Online
Vice de Campos-RJ diz que suspeitava de fraudes
Roberto Henriques assumiu lugar de Alexandre Mocaiber, suspeito de integrar esquema de superfaturamento
ALEXANDRE RODRIGUES E MARCELO AULER - Agencia Estado

"Desde os primeiros dias do meu mandato, eu me contrapus a toda essa prática administrativa instalada em Campos. Procurei sempre alertar Mocaiber", afirmou Henriques. Ele lamentou que a cidade esteja novamente envolvida em escândalos políticos. Mocaiber nega as acusações. A defesa dele se queixou hoje à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) por não ter conseguido ter acesso aos dois inquéritos - criminal e de improbidade administrativa - que tramitam na Justiça Federal de Campos contra ele para formular um recurso contra o seu afastamento.
Os autos do inquérito estavam com o procurador da República Eduardo Santos de Oliveira. Ele pretendia entregar os inquéritos na Justiça ainda hoje, justamente para evitar a alegação de cerceamento de defesa. Sem acesso aos autos, os advogados do prefeito e dos presos não podem tomar nenhuma medida judicial para reverter a situação.
Prisões
No Rio, os presos - entre eles dois secretários e o ex-procurador geral do município - foram encaminhados para a cadeia da Polinter depois de ouvidos pelo delegado Bruno de Oliveira Lopes. O procurador explicou que não pretende solicitar a prorrogação da prisão temporária de cinco dias. Ele vai denunciar todo o grupo no início da semana que vem, tão logo receba os interrogatórios dos presos. Diz já possuir dados suficientes para propor os processos de crimes contra a ordem tributária e fraudes em licitações contra os envolvidos. "Só não denunciei o prefeito ainda por improbidade administrativa para não ser acusado de afoito. Quando for possível tornar público os monitoramentos telefônicos, todos verão que os elementos que levantamos são graves", disse.
Henriques é o quinto prefeito a tomar posse em Campos desde outubro de 2004, quando a eleição municipal terminou anulada pela caracterização de compra de votos generalizada. Pouco antes da eleição, o atual deputado federal Arnaldo Vianna (PDT-RJ) foi afastado do cargo por suspeita de improbidade administrativa. Ele foi substituído pelo vice, o também deputado Geraldo Pudim (PMDB-RJ), seu desafeto e aliado de Garotinho, que concorria à prefeitura.
De volta à prefeitura, Vianna conseguiu derrotar Pudim, elegendo Carlos Alberto Campista (PDT) como sucessor. No entanto, a Justiça caracterizou a compra de votos pelas duas candidaturas e anulou a eleição. Campista foi cassado em 2005, dando lugar a Mocaiber, que era presidente da Câmara dos Vereadores.
Numa nova eleição, Mocaiber venceu Pudim, derrotando o grupo de Garotinho. Em seu blog na internet, o ex-governador comemorou a operação e afirmou que há mais irregularidades a serem descobertas sobre a gestão de Mocaiber. Os dois grupos antagônicos já foram um só. Vianna foi vice de Garotinho, quando o ex-governador foi prefeito da cidade, e o sucedeu com o apoio dele. A disputa política e a troca de acusações começou a partir do desentendimento dos dois.
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