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terça-feira, 6 de maio de 2008, 11:37 | Online
PF envia reforço para apurar disparos contra índios na Raposa
Dez índios foram baleados em conflito com seguranças de arrozeiro; conselho diz que ocupação vai continuar
Bianca Pinto Lima, do estadao.com.br
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Um grupo de 103 indígenas, entre homens e mulheres, iniciou a ocupação de uma área da fazenda livre de plantação de arroz e afastada da sede às 5 horas da segunda-feira. Em pouco tempo, eles construíram quatro malocas (casas) com palha e madeira. Dois funcionários de Quartiero chegaram ao local pilotando motos e ordenaram a saída dos índios. Diante da negativa, foram embora e retornaram com mais três motoqueiros e uma caminhonete.
"Eles já chegaram atirando e disparando as, sem dar chance de defesa às vítimas", afirma Júlio Macuxi, coordenador de Programas do Conselho Indígena de Roraima (CIR). Ele diz que a ocupação se deu pela necessidade de ampliação da comunidade Renascer, próxima à cerca da fazenda, que estaria "sufocada".
Os tiros foram disparados de espingardas calibre 16. Sete índios foram levados para o hospital de Pacaraima. Os demais, Glênio Barbosa, 22, João Ribeiro, 30, e Antônio Kleber da Silva, 25, foram removidos em avião da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para Boa Vista. O médico Renerys Pinheiro, que atendeu os três no Pronto Socorro Francisco Elesbão, disse que os ferimentos eram leves.
Paulo César Quartiero disse que não estava na fazenda no momento do conflito, mas foi informado por seus funcionários que os índios teriam "invadido" sua fazenda armados de cacetetes, arco e flecha. "Os funcionários disseram que quando tentaram retirá-los, eles atiraram flechas. Então houve reação", afirma Quarteiro.
Nesta terça-feira, o Governo de Roraima protocola no Supremo Tribunal Federal (STF) a ação principal da medida cautelar ajuizada no mês passado e que suspendeu a retirada de não-índios da terra indígena Raposa Serra do Sol, por decisão unânime dos ministros do STF. O governador Anchieta Júnior (PSDB) está em Brasília e acompanha pessoalmente o protocolo do documento.
Ocupação vai continuar
Apesar do ataque, a ocupação vai continuar. Os índios não aceitam a posse de Quartiero nem dos seis rizicultores que permanecem na área. Para eles, os produtores é que são os "invasores". "Este ataque é uma afronta à Constituição Federal e ao Supremo Tribunal Federal, mas não intimida as comunidades. Ao contrário, só fortalece os indígenas da Raposa Serra do Sol e de todas as comunidades de Roraima", diz o índio Júlio Macuxi.
O líder indígena ressaltou que vai reforçar o pedido de segurança na área, feito há um mês, e exigir que a Polícia Federal desarme os funcionários das fazendas de arroz, que ele classifica de "milícia".
(com Agência Estado e Loide Gomes, especial para O Estado de S. Paulo)
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