Questões Sociais
quarta-feira, 7 de maio de 2008, 20:29 | Online
Líder dos arrozeiros em RR é transferido para prisão em Brasília
Quartiero foi preso na terça; ele é acusado de ligação com confronto que deixou índios feridos em reserva
Loide Gomes - especial para O Estado de S.Paulo
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No início da semana, um grupo de dez funcionários da fazenda Depósito, localizada na terra indígena Raposa Serra do Sol,, em Roraima, disparou tiros e atingiu nove indígenas durante ocupação da propriedade. Por conta da ofensiva, a Polícia Federal pediu e o Supremo Tribunal Federal (STF) deferiu mandado de busca e apreensão na fazenda de Quartiero, que desde o mês passado lidera uma série de protestos contra a desocupação da reserva.
Durante a ação, 24 pessoas foram presas, dentre os quais uma mulher. Dezesseis funcionários não foram reconhecidos pelas vítimas e foram liberados ainda na madrugada. Eles deixaram o prédio da PF direto para a sede da fazenda Depósito, no Surumu, onde passaram a manhã contabilizando o prejuízo deixado durante a revista dos agentes federais. O escritório de Quartiero, um hangar e todos os alojamentos tiveram portas e janelas arrombadas, mas as chaves estavam no local.
O operador de máquinas agrícolas Daniel Paulo, índio wapixana de 22 anos, disse que sofreu tortura psicológica durante a prisão. "Eles ameaçaram me afogar e matar. Por diversas vezes engatilharam as armas nas minhas costas", relatou. A assessoria da PF disse que não houve excessos e que todas as pessoas detidas foram submetidas a exame de corpo de delito.
Os trabalhadores negam que no local havia os e as. Já o superintendente da Polícia Federal em Roraima, José Maria Fonseca, disse que foram encontrados canos de PVC com resíduos de pólvora, tábuas com pregos que teriam sido utilizadas nas estradas contra as viaturas da PF e escudos artesanais de lata, que comprovariam a participação do arrozeiro nos atentados registrados no Surumu e no prédio da Polícia Federal em Pacaraima, atingido com coquetéis motolov no mês passado.
O advogado de Quartiero, Valdemar Albrecht, negou as acusações e reclamou que não teve acesso ao inquérito nem à nota de culpa, o que estaria atrasando o pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília.
Ele argumenta que a prisão do prefeito foi ilegal e arbitrária. "Ele foi preso a mando do ministro Tarso Genro, que é o responsável por instrumentalizar toda a ação insana e está colaborando com as ONGs, sendo intransigente em negociar uma demarcação mais justa", afirmou.
Um dia sem tumulto
Um dia após a prisão de Quartiero, o clima foi tranqüilo no Surumu, localizado a 160 quilômetros de Boa Vista. Não houve registro de tumultos. A Polícia Federal suspendeu as barreiras montadas na entrada da vila e destacou apenas dez agentes para cuidar da segurança do local. Sete quilômetros dali, crescia o acampamento de indígenas ligados ao CIR (Conselho Indígena de Roraima), principal organização que defende a expulsão dos não-índios da região.
Anteontem eles desocuparam a fazenda de Quartiero e transferiram o acampamento - onde houve o tiroteio - para o outro lado da estrada. O tuxaua Martinho Macuxi Sousa, 37, disse que o grupo formado por cerca de 300 índios vai ocupar novamente a fazenda do prefeito. Além disso, anunciou que as famílias dos índios baleados pedirão indenização.
Para ele, a prisão de Quartiero não traz tranqüilidade aos povos indígenas da Raposa Serra do Sol. "Só vamos ficar tranqüilos quando ele sair da nossa terra".
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