Política
quinta-feira, 8 de maio de 2008, 14:36 | Online
Decreto de Lula deve ampliar presença militar em área indígena
Informação é do ministro Nelson Jobim; segundo ele, decisão integra novo plano de atuação militar na Amazônia
Reuters
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"Queremos dizer claramente uma coisa fundamental: terra indígena é terra brasileira. É terra de propriedade da União afetada a usufruto indígena. Não há nações ou povos indígenas, existem brasileiros que são indígenas", disse Jobim a jornalistas, nesta quinta-feira, após cerimônia comemorativa do Dia da Vitória, que marca o fim da 2a Guerra Mundial em 8 de maio de 1945.
Jobim afirmou que a orientação de reforçar a presença militar na Amazônia partiu do presidente Lula e os detalhes para a implementação do plano serão definidos nos próximos 90 dias com os chefes das três Forças.
Ao longo dos próximos três meses, serão determinados o contingente militar, a localização dos novos postos de fronteira e a logística das tropas. A demarcação da reserva Raposa do Sol, no Estado de Roraima, trouxe descontentamento entre militares e produtores agrícolas.
"Nosso plano estratégico já previa o reforço das Forças Armadas em todas as fronteiras", afirmou Jobim. "Havia manifestações de algumas organizações de que as Forças Armadas não poderiam estar dentro de terras indígenas e dependeriam de autorização das populações indígenas", acrescentou ele, sem dar detalhes.
Em palestra no mês passado, o general Augusto Heleno, comandante militar da Amazônia, classificou a transformação da fronteira norte do país em terras indígenas de ameaça à soberania nacional.
O general lembrou compromisso brasileiro com declaração da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o direito dos povos indígenas, que destaca a desmilitarização das áreas.
"O que nós temos que respeitar é a Constituição brasileira e não as eventuais declarações afirmadas pela ONU... Vamos implementar um crescimento exponencial da presença do Exército, da Marinha e da Aeronáutica na região amazônica e nas fronteiras do Centro-Oeste", afirmou Jobim.
A primeira reunião com as três Forças será dentro de 30 dias, em Brasília. Jobim comentou que pelotões de fronteira são rarefeitos em Roraima e Amapá. No Amazonas, ainda segundo o ministro, será preciso criar postos novos e alterar a logística de deslocamento com construção de pistas de concreto.
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