Política

sexta-feira, 9 de maio de 2008, 16:04 | Online

Mulher de Paulinho diz que abrirá sigilo de ONG sob suspeita

Denúncia é de que a entidade recebeu R$ 1 mi do BNDES; Elza de Fátima, que preside ONG, nega irregularidades

Roberto Almeida, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A mulher do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força, Elza de Fátima Costa Pereira, negou irregularidades e disse nesta sexta-feira, 9, que abrirá o sigilo bancário da ONG Meu Guri Centro de Atendimento Biopsicossocial, presidida por ela, por conta da denúncia de que a entidade recebeu do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) R$ 1,199 milhão em uma operação não-reembolsável.

 

A operação, segundo reportagem do Estado, foi aprovada em dezembro de 2000 e contratada em 27 de setembro de 2001, mas os repasses ocorreram em 2002 e 2003, período em que integrava o conselho de administração do BNDES o lobista João Pedro de Moura, amigo e ex-assessor de Paulinho. Moura é acusado pela Procuradoria da República de chefiar suposta quadrilha grampeada pela Polícia Federal na Operação Santa Tereza.

 

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De acordo com o BNDES, trata-se de um financiamento proveniente do Fundo Social da instituição, para realizar obras nas instalações da ONG, adquirir móveis, veículos, utensílios e capacitar empregados. Segundo o banco, o negócio é "muito antigo" e no momento não há nenhuma operação ativa com a Meu Guri. O último repasse, de R$ 36,6 mil, ocorreu em 25 de abril de 2003. O valor total já foi completamente desembolsado.  O BNDES diz ainda que está fazendo auditoria interna. Mas ontem, porém, não soube informar quantas ONGs receberam dinheiro do Fundo Social no período em que a Meu Guri foi beneficiada.

 

Operação da PF

 

A Operação Santa Tereza começou em dezembro de 2007, quando passou a apurar denúncias de exploração de prostituição e tráfico de pessoas. Nas interceptações telefônicas foram identificadas conversas sobre financiamentos do BNDES. O grupo, segundo a PF, usava sua influência para aprovar os financiamentos e cobrava uma porcentagem sobre o valor liberado.



Em 24 de abril, 10 pessoas foram presas. Segundo a PF, Paulinho foi citado várias vezes nos grampos. Ao saber que seria investigado pela Corregedoria da Câmara, ele abriu seu sigilo bancário, fiscal e telefônico para o Ministério Público Federal. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, suspendeu "prudencialmente" todas as liberações relativas aos empréstimos postos sob suspeita.


Texto ampliado às 16h26