Política
segunda-feira, 12 de maio de 2008, 17:19 | Online
Suspeito do dossiê vai pedir afastamento da Casa Civil, diz Jucá
No entanto, líder do governo diz que não sabe qual tipo de afastamento foi pedido por Aparecido
Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo
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Jucá antecipou que a base aliada não permitirá nova tentativa da oposição de convocar a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, em função da revelação do autor do vazamento. O líder do PSDB no Senado, Artur Virgílio (AM), anunciou a disposição de convocar a ministra à Comissão de Constituição e Justiça. "A ministra já veio ao Senado e deu um show", justificou o líder do governo, referindo-se ao depoimento dela, na quarta-feira passada, na Comissão de Infra-Estrutura do Senado.
Na sessão extraordinária da CPI Mista dos Cartões Corporativos prevista para amanhã, a oposição vai propor a convocação de Aparecido e do assessor André Fernandes, do gabinete de Álvaro Dias, a quem o funcionário da Casa Civil repassou o dossiê, por e-mail, conforme sindicância interna da Casa Civil. Os integrantes oposicionistas da CPI querem que os dois deponham no mesmo dia, na quarta ou na quinta-feira, o que deve ser decidido na reunião da CPI.
Resultado
Funcionário de carreira do Tribunal de Contas da União (TCU), Aparecido foi levado para a Casa Civil pelo ex-titular da pasta, José Dirceu. No dia 11 do mês passado, reportagem do Estado intitulada "Vazamento de dossiê contra FHC abre guerra dentro da Casa Civil" mostrou que havia ali uma disputa entre o grupo de Dirceu e de Dilma.
A divulgação oficiosa do resultado da sindicância, um dia depois do depoimento bem sucedido da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, na Comissão de Infra-estrutura do Senado, foi uma operação sincronizada, conforme apurou o Estado. Provas ligando Aparecido a um funcionário do gabinete do senador tucano Álvaro Dia (PR) já haviam sido recolhidas pelos auditores, que esperavam por um momento conveniente para divulgá-las. Ou seja: depois do depoimento de Dilma, quando ela se desvencilhou das acusaões de autora material ou hierárquica do dossiê.
Segundo Menezes, a constatação não causa surpresa, uma vez que desde o início Aparecido era um dos suspeitos. O delegado informou que vai requisitar cópia da sindicância para anexá-la aos autos. "Agora ficou mais fácil fechar o cerco sobre a autoria do vazamento", disse o delegado. Antes, porém, ele vai pedir à Justiça que afaste o sigilo do documento, a fim de preservar a validade da prova. Uma troca de e-mails entre Aparecido e um funcionário do gabinete do Senador Álvaro Dias (PSDB-PR) foi o elemento-chave para rastrear o caminho dos documentos com os gastos do ex-presidente.
O inquérito da PF para apurar responsabilidades pela confecção do dossiê e seu vazamento foi aberto em 7 de abril. Pouco depois a Casa Civil abriu sindicância com o mesmo fim. Nesta quinta-feira, a 12ª Vara da Justiça Federal prorrogou por mais 30 dias o prazo para conclusão do inquérito. A oposição acusa o governo Lula de ter feito o dossiê como instrumento de chantagem política para impedir as investigações sobre gastos irregulares com cartões corporativos. O inquérito corre em segredo de Justiça.
Com auxílio de técnicos do Instituto Nacional de Criminalística (INC), a PF realizou perícia em 13 computadores usados na digitalização dos gastos. A lista dos intimados para depor na nova fase inclui, além de Aparecido, a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, que goza de plena confiança da ministra Dilma, o secretário de Administração, Norberto Temóteo Queiroz. Constam também os nomes do diretor de Orçamento e Finanças da pasta, Gilton Saback, Maltez e da funcionária Maria Soledad Castrillo.
A investigação da Casa Civil apontando o secretário de Controle Interno como o vazador do dossiê tira o escândalo da porta de Dilma. Motivo: a crise, a partir de agora, será jogada no colo de Dirceu por ter levado Aparecido para o Palácio do Planalto. A solução indicando a culpa do secretário de Controle Interno da Casa Civil já era comentada no Planalto desde abril.
Aparecido era analista do TCU e começou a trabalhar na Casa Civil ainda no primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, indicado por Dirceu. Em conversas reservadas, o ex-ministro disse que o auxiliar sempre foi fiel e excelente funcionário. A amigos, Dirceu afirmou não acreditar na culpa de José Aparecido.
Texto atualizado às 18h10
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