Política
terça-feira, 13 de maio de 2008, 16:38 | Online
Nomeação de Mangabeira pode ter motivado Marina Silva
Ministra pediu demissão cinco dias após lançar plano para Amazônia, que será comandado por ministro
Marcelo de Moraes e Fabíola Salvador, de O Estado de S.Paulo
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A saída de Marina põe fim a um processo de desgaste que se acentuou no ano passado, quando o atraso na concessão de licenças ambientais pelo Ibama foi apresentado como o grande vilão para o não andamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Marina chegou a protagonizar disputas com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o próprio Lula fez críticas públicas à área sob seu comando quando a falta de licenças atrasou o processo de leilão das usinas do Rio Madeira.
Marina fez um discurso durante a solenidade no qual não escondeu seu descontentamento no cargo. "Sempre fui chamada de ministra dos bagres", disse ela, referindo-se à polêmica em torno das espécies de peixes que poderiam ser extintas com a construção das usinas do Rio Madeira. Durante todo o fim de semana, a ministra discutiu a possibilidade de sair do Ministério em conversa com seus principais assessores.
Roberto Mangabeira Unger, por sua vez, teve reunião nesta terça-feira com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, com quem discutiu uma política para estimular a produção de grãos a longo prazo. Ao sair do ministério, Mangabeira disse que está discutindo com outros ministros uma política para o desenvolvimento sustentado da Amazônia. Ele não deu mais detalhes sobre o assunto.
Foi por volta de 13h30 que a ministra demissionária Marina Silva telefonou ao senador Sibá Machado (PT-AC), seu suplente, para comunicar que iria assumir a vaga no Senado. Sibá informou há pouco que Marina encaminhou a carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas garantiu não saber os motivos da sua saída. "A Marina é uma militante muito rígida e muito pura. Tenho certeza de que teve um motivo justo para sair", declarou Sibá Machado, que disse que irá retornar ao Acre sem qualquer pretensão eleitoral para o pleito municipal de outubro próximo.
(Com Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo)
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