Política

terça-feira, 13 de maio de 2008, 18:19 | Online

Lula sonda Carlos Minc e Jorge Viana para lugar de Marina

Atual secretário do Meio Ambiente do Rio é um dos mais cotados, porém ex-governador do Acre está no páreo

Reuters e AE

Marina e Carlos Minc em encontro no Rio

AE

Marina e Carlos Minc em encontro no Rio

BRASÍLIA - Para substituir Marina Silva no Ministério do Meio Ambiente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a sondar nesta terça-feira, 13, o atual secretário do Ambiente do Estado do Rio de Janeiro, Carlos Minc. Lula também pediu a emissários para sondarem o ex-governador do Acre Jorge Viana (PT), que sempre quis levar para o primeiro escalão. Amigo e interlocutor freqüente de Lula, Viana já foi cotado para a articulação política do governo e é presidente da fábrica de helicópteros Helibrás.

 

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Para sondar Minc, Lula chegou a telefonar para o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e perguntou se o secretário poderia ser liberado para assumir a vaga. "O presidente ligou para o governador requisitando o secretário Carlos Minc. O governador autorizou o secretário a ser o novo ministro do Meio Ambiente”, disse a assessoria de Cabral".

 

Lula ficou furioso com a forma como a ministra deixou o governo. A assessores próximos, o presidente, irritado, disse que foi surpreendido e reclamou do fato de a notícia estar na imprensa antes mesmo que o presidente tivesse lido a carta de demissão. Assessores do presidente disseram que Lula ficou "indignado" e classificaram a atitude da ministra como "espetaculosa" e "espalhafatosa". 
 

A saída de Marina Silva do Planalto ocorre cinco dias após o lançamento do Plano Amazônia Sustentável (PAS). Na solenidade, o presidente que o ministro extraordinário do Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE), Roberto Mangabeira Ungerseria o coordenador do PAS, mas fez uma brincadeira com Marina: "Dilma, eu disse que você é a mãe do PAC. Ninguém como você, Marina, para ser a mãe do PAS. De mãe em mãe, vocês percebem que estou criando a nova China aqui." A escolha de Mangabeira teria desagradado Marina, o que pode ter contribuído para sua saída.

 

Marina está à frente do ministério desde o primeiro mandato de Lula. Sua saída põe fim a um processo de desgaste que se acentuou no ano passado, quando o atraso na concessão de licenças ambientais pelo Ibama foi apresentado como o grande vilão para o não andamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Marina chegou a protagonizar disputas com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e o próprio Lula fez críticas públicas à área sob seu comando quando a falta de licenças atrasou o processo de leilão das usinas do Rio Madeira.

 

Sob forte bombardeio desde então, a ministra mantinha suas convicções em eventos públicos. Ainda na última segunda, durante lançamento do Programa Brasileiro de Inventário Corporativo de Gases de Efeito Estufa, a ministra teve a coragem de criticar a menina dos olhos do governo Lula, o investimentos em biocombustíveis: "o Brasil não quer ser a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) dos biocombustíveis(...) Queremos dar nossa contribuição em relação aos biocombustíveis, mas observando nossa capacidade de suporte. E de forma que não comprometa a segurança alimentar nem a questão ambiental", chegou a dizer Marina à Agência Brasil. "Nossa economia depende 50% da nossa biodiversidade. Quem destruiria sua galinha dos ovos de ouro?", indagou em Brasília.

 

Trajetória

 

Marina tem uma trajetória muito parecida com a de Lula. Nascida em 1958, na "colocação" (espaço explorado por uma família dentro do território do seringal) Breu Velho, no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco, capital do Acre, trabalhou como empregada doméstica e alfabetizou-se pelo antigo Mobral. Após fazer o supletivo, aos 26 anos formou-se em História pela Universidade Federal do Acre. Em 1985, ela filiou-se ao PT e passou a participar das Comunidades Eclesiais de Base, de movimentos de bairro e do movimento dos seringueiros.

 

Em 1984, foi fundadora da CUT no Acre, que teve Chico Mendes como seu primeiro coordenador, com Marina atuando como vice-coordenadora. Nas eleições municipais de 88 foi a vereadora mais votada em Rio Branco e conquistou a única vaga de partidos de esquerda na Câmara Municipal. Em 1990 candidatou-se a deputada estadual e foi novamente a mais votada. Marina Silva foi eleita pela primeira vez para o Senado em 1994. Na época, aos 36 anos, foi a senadora mais jovem da história da República. Em 2002 foi reeleita com uma votação quase três vezes superior à anterior.

 

Texto atualizado às 22h40

 

(Com Luciana Nunes Leal e Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo)


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