Política

terça-feira, 13 de maio de 2008, 18:20 | Online

Para produtores do MT, gestão de Marina foi 'radical'

'Esperamos que venha um ministro que pense no Brasil e não seja pautado em questões internacionais', disseram

ALEXANDRE INACIO E VENILSON FERREIRA - Agencia Estado

SÃO PAULO - O produtor rural e presidente da Federação de Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato), Rui Prado, considerou que a gestão da ministra demissionária do Meio Ambiente, Marina Silva, sempre foi "muito radical". "Ela sempre colocou o meio ambiente acima de tudo, quando era preciso incluir também aspectos econômicos e sociais nessa discussão para atingir a tão falada sustentabilidade", disse Prado.

   

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O representante dos produtores do Mato Grosso disse que a relação do governo com o ponto de vista ambiental sempre foi, e ainda é, muito difícil. "Chegou a um ponto onde não era mais possível conversar. Nos últimos tempos tivemos que entrar com três mandados de segurança contra o governo devido a problemas relacionados ao meio ambiente", disse o presidente da Famato.

A expectativa da Famato é que o novo ocupante da pasta tenha um pensamento diferente da ministra Marina Silva. "Esperamos que venha um ministro que pense no Brasil e nos brasileiros e não um que fique pautado nas questões internacionais, como parecia ser o caso da ministra Marina", disse Prado.

O presidente da Associação dos Cafeicultores do Paraná e ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Luiz Suplicy Hafers, é uma das lideranças rurais que comemorou a saída da ministra Marina Silva. Na opinião de Hafers, o presidente Lula tem sido inteligente, ao buscar soluções para as questões relacionadas a energia e alta dos preços dos alimentos, enquanto a ministra demissionária "sempre assumiu uma postura intransigente, prejudicial à causa ambientalista". "Ela exagerou na dose", diz ele.

 

 

Veja outras opiniões a favor da saída da ministra:

 

Adriano Pires, consultor:

 

"Acho que a saída dela mostra que o governo resolveu solucionar um grande impasse que existe entre a política de aumentar a oferta de energia e um certo 'xiitismo' do meio ambiente para conceder a licença ambiental... você hoje tem mais projetos de energia térmica do que hidráulica em função dessa dificuldade. Acho que o governo pode sinalizar, dependendo de quem vai substituir a ministra Marina Silva, uma certa mudança no sentido dessa questão de licença ambiental, fica menos 'xiita', fica menos nas mãos das ONGs."

 

 

 

Glauber Silveira, presidente, Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (APROSOJA-MT):

 

"Nós precisamos de um interlocutor que não tenha preconceitos. Ela (Marina) era uma pessoa que tinha preconceitos. Ela não estava preocupada com o desenvolvimento do país, não que a questão do meio ambiente não seja importante, é muito importante, mas ela nunca pensou no desenvolvimento sustentável, ela sempre pensou no 'não' desenvolvimento.

No meu ponto de vista, ela tinha tudo para fazer uma baita de uma representação, mas deixou a desejar. Ela na verdade causou sérios prejuízos ao Brasil, causou barreiras ao Brasil, foi contra os interesses do desenvolvimento do País.

 

Luiz Antonio Nabhan Garcia, presidente Nacional da União Democrática Ruralista:

 

"Esse ranço que a Marina Silva tem, que é explícito, esse ódio que ela tem contra produtor rural, isso prejudica gravemente a cadeia produtiva. A ministra misturou tudo, colocou todo mundo no mesmo balaio e saiu dando tiro em todo mundo. A política dela no quesito meio ambiente foi desastrosa.

Ela precisa distinguir o que é certo do errado, e o ministério dela não estava tendo essas condições. Era muito clara a postura ideológica dela.

É preciso ter uma postura de diálogo, não uma postura repressiva como era da Marina à frente do ministério. Você tem como penalizar alguém que cometeu crime ambiental, sim, mas não da forma agressiva como ela vinha fazendo."

 

 

 

 

Cesário Ramalho da Silva, presidente da sociedade rural brasileira:

 

"É algo muito importante que acontece, porque é uma ministra de primeira hora do presidente, é senadora, tem posições muito polêmicas com essas questões de meio ambiente. Criou muita dificuldade com questões de licenças ambientais, deveríamos ter no Ministério do Meio Ambiente pessoas mais de centro, menos ligadas a qualquer movimento de ONGs. Ela é uma ministra extremamente ligada a ONGs, que não são brasileiras. A gente defende mais equilíbrio e mais bom senso, e menos ideologia, temos que trabalhar pelo bom senso, pelo equilíbrio com perseverança buscando esse tipo de coisa. Ela é representante dessas correntes de preservação internacionais, muito contraditórias e muito ideológicas.

Que seja escolhido um novo ministro que tenha bom senso, equilíbrio e que jamais seja como a Marina."

 

Rui Prado, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso:

 

"Espero que o próximo ministro não seja tão radical quanto a Marina, porque infelizmente a ministra Marina se pautou muito nas questões ambientais e se esqueceu do principal ente do meio ambiente, que é o ser humano. ...Ela era uma barreira para o desenvolvimento econômico do Brasil... Espero que o presidente Lula reflita e coloque alguém mais ponderado.

Penso que a pasta do Meio Ambiente precisa ser utilizada para a preservação ambiental junto com o desenvolvimento econômico."

 

Kátia Abreu (DEM-TO), senadora da bancada ruralista:

 

"Em que pese a boa-fé da ministra, o viés ideológico prevaleceu e não houve condições de convívio dentro do governo".

 

Texto atualizado às 20h40

 

(Com Reuters e Ana Conceição, da AE)

 

 


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