Política

terça-feira, 13 de maio de 2008, 19:08 | Online

Saída de Marina foi 'morte anunciada', diz Greenpeace

Marcelo Furtado lamenta a demissão da ex-ministra do Meio Ambiente e diz que isso mostra atraso do País

Reuters - Reuters

BRASÍLIA - Na opinião do diretor de campanhas do Greenpeace on Brasil, Marcelo Furtado, a saída da ministra Marina Silva  da pasta do meio ambiente foi "a crônica da morte anunciada". "Ou a Marina ganhava a cabeça do presidente Lula e mostrava que a agenda ambiental é positiva ou não ganhava. Lula apenas adotou o discurso ambientalista, mas a prática é do desenvolvimento a qualquer custo.

 

Para ele, a demissão foi uma sinalização desastrosa para a comunidade internacional." País mostra atraso. Marina saiu por um conjunto de elementos: política do governo em relação à Amazônia; pressões da Casa Civil por licenças ambientais para usinas; e a entrega do Programa da Amazônia Sustentável ao Mangabeira (Unger)."

 

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Para o professor da London School of Economics (LSE), Anthony Hall, a saída de Marina afeta a imagem que o mundo tem do Brasil no que diz respeito às questões ambientais.  



"Eu acho que sua saída vai ser interpretada como um enfraquecimento da preocupação do governo com o meio ambiente e com a conservação da floresta", afirmou Hall em entrevista à BBC Brasil. "Não sei se é verdade, mas será visto assim", afirmou Hall, especialista em desenvolvimento sustentável e pesquisador de questões ligadas à floresta amazônica há mais de 20 anos.

Segundo Hall, devido a fatores como suas origem pobre, sua atuação no movimento de seringueiros e sua condição de ex-analfabeta, Marina Silva simbolizava progresso social e também a importância dada pelo governo à questão do meio ambiente. "Sua nomeação para o ministério foi um golpe de mestre do presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva)", disse Hall. "Será muito difícil substituí-la. Encontrar alguém que simbolize esses valores", afirmou Hall.

Veja opiniões contrárias à saída de Marina Silva:

 

 

Aécio Neves, governador de Minas Gerais:

 

"A ministra Marina não apenas para o governo, mas para o país, é um símbolo da persistência da luta ambiental. Uma referência importante, inclusive fora do Brasil."

 

 

José Aníbal, líder do PSDB na Câmara:

 

"A saída não é positiva, mostra uma luta da ministra a favor da Amazônia e do desenvolvimento sustentável, e provavelmente ela não encontrou o respaldo que precisava no governo para dar prosseguimento às suas ações."

 

Maurício Rands, líder do PT na Câmara:

 

"A ministra fez um grande trabalho e as divergências sobre ações do governo são naturais, a tensão é normal."

 

 

Claudio Sales, presidente do Instituto Avança Brasil:

 

"É uma personalidade que detém um grande reconhecimento internacional, tem profundo conhecimento de causa sócio-ambientais e vinha demonstrando um foco e um interesse de buscar soluções, de como fazer."

 

André Villas-Boas, coordenador do programa Xingu do Instituto Socioambiental:

 

"Obviamente que isso vai causar uma orfandade no governo Lula. É bastante preocupante, ela é uma perda quase irreparável, principalmente quando o governo tem esse projeto de biocombustíveis, e ela dava um respaldo importante para a questão ambiental. Talvez (o motivo) tenha sido o fato de Lula ter indicado Mangabeira Unger para coordenar o PAS (Programa da Amazônia Sustentável), mas ainda não temos certeza se é isso."

 

 

 

Roberto Smeraldi, Friends of the Earth:

 

"Sem dúvida, ela perdeu uma batalha para muitos no governo. Mostra que o crescimento econômico a curto prazo é mais importante do que proteger o meio ambiente no Brasil."

 

 

 

Denise Hamú, WWF Brasil:

 

"Nós lamentamos profundamente por tudo aquilo que ela representa, principalmente por ela ter lutado pela causa ambiental por toda a sua vida.

Acredito que não tenha havido uma razão específica, mas uma sucessão de razões (para o pedido de demissão). Acho que a questão do PAC, a dificuldade de declarar áreas protegidas e também a questão da Amazônia sustentável, que, no final, o presidente entregou ao Mangabeira Unger. Isso tudo pode ter contribuído."

 

 

 

Sibá Machado (PT-AC), senador e suplente de Marina:

 

"O ministério cumpriu sua missão e cumpriu de maneira muito boa. Esse assunto é de foro íntimo da ministra e só ela pode explicar os motivos.

 

Tudo na vida tem suas dificuldades, são teses, são opiniões (sobre divergências dentro do governo)... mas eu acredito que no geral o governo brasileiro teve um exemplo muito bom de como ter um desenvolvimento sustentável nos moldes que foi trabalhado pela pasta da ministra Marina Silva."

 

José Carlos Carvalho, ex-ministro do Meio Ambiente no governo Fernando Henrique Cardoso:

 

"A saída de Marina Silva é uma derrota da política ambiental brasileira, pois significa que ela não pôde viabilizar aquilo que parte da sociedade brasileira acha que precisa ser feito", afirmou. Carvalho, que atualmente é titular da secretaria de Estado de Meio Ambiente em Minas Gerais, aponta que qualquer ministro no lugar de Marina Silva enfrentaria dificuldades dentro e fora do governo, uma vez que a "questão ambiental, lamentavelmente, é periférica em relação aos centros de poder e decisão do País".

 

 

(Com Raquel Massote, da AE)


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