Política
quarta-feira, 14 de maio de 2008, 08:16 | Online
Viana é o mais cotado para lugar de Marina; Minc nega convite
Ex-governador do AC encontrou Lula nesta quarta e presidente pode oficializar o petista no Meio Ambiente
ROSANA DE CASSIA - Agencia Estado

Amigo e interlocutor freqüente de Lula, Viana já foi cotado para a articulação política do governo e é presidente da fábrica de helicópteros Helibrás. O Assessor Especial da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, afirmou nesta quarta que o novo ministro do Meio Ambiente já foi escolhido, mas ainda não há anúncio sobre a decisão de Lula.
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"Jorge Viana também foi sondado por setores do governo, é um nome respeitável, grande autoridade na área do meio ambiente, mas seguramente saberá entender este momento e tratará dessa questão de maneira restrita e reservada", afirmou o irmão do ex-governador, o senador Tião Viana (PT-AC), em entrevista à TV Globo, depois da visita à ex-ministra, na noite da última terça.
Depois de mais de 5 anos acumulando desafetos dentro do governo e prestígio fora dele, a senadora Marina Silva (PT-AC) se demitiu na última terça-feira do cargo. O presidente Lula ficou irritado com a forma como a ministra saiu, que considerou "espalhafatosa". O relacionamento de Marina na Esplanada só fez piorar nos últimos anos. Ela teve enfrentamentos com os ministros Dilma Rousseff, Reinhold Stephanes e Mangabeira Unger, com o ex-ministro Silas Rondeau e também com Lula.
Minc disse ainda que conhecia as pressões exercidas sobre a ministra e que havia suspeitado que o clima no governo não era bom quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não compareceu à cerimônia de abertura da 3ª Conferência Nacional de Meio Ambiente. "Sou ligadíssimo à Marina. Temos uma história comum desde os tempos do Chico Mendes. Eu a conheci quando ainda era uma guria. Nem vereadora era", justificou, demonstrando solidariedade e reiterando sua disposição de não assumir do cargo.
Demissão
Com a ministra saem dois auxiliares de sua absoluta confiança: Basileu Aparecido, que acumula as funções de chefe de gabinete de Marina e presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e João Paulo Capobianco, secretário-executivo do Meio Ambiente e presidente do Instituto Chico Mendes de Biodiversidade.
Oficialmente, a assessoria de Marina informou que a saída ocorreu por causa de uma série de desgastes provocados por ações do governo com as quais não concordava e uma seqüência de insatisfações com as atitudes do próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o que pode ser qualificado como "gota d'água" foi, de fato, a escolha de Mangabeira Unger para a chefia do conselho gestor do Plano Amazônia Sustentável.
Trajetória de Marina
Marina tem uma trajetória muito parecida com a de Lula. Nascida em 1958, na "colocação" (espaço explorado por uma família dentro do território do seringal) Breu Velho, no Seringal Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco, capital do Acre, trabalhou como empregada doméstica e alfabetizou-se pelo antigo Mobral. Após fazer o supletivo, aos 26 anos formou-se em História pela Universidade Federal do Acre. Em 1985, ela filiou-se ao PT e passou a participar das Comunidades Eclesiais de Base, de movimentos de bairro e do movimento dos seringueiros.
Em 1984, foi fundadora da CUT no Acre, que teve Chico Mendes como seu primeiro coordenador, com Marina atuando como vice-coordenadora. Nas eleições municipais de 88 foi a vereadora mais votada em Rio Branco e conquistou a única vaga de partidos de esquerda na Câmara Municipal. Em 1990 candidatou-se a deputada estadual e foi novamente a mais votada. Marina Silva foi eleita pela primeira vez para o Senado em 1994. Na época, aos 36 anos, foi a senadora mais jovem da história da República. Em 2002 foi reeleita com uma votação quase três vezes superior à anterior.
(com João Domingos, Marcelo de Moraes, Tânia Monteiro e Andrei Netto, de O Estado de S. Paulo)
Texto ampliado às 12h12
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