key_Política
segunda-feira, 16 de junho de 2008, 19:39 | Online
PF vai ouvir Dirceu sobre suposto elo com ex-prefeito em MG
Não há previsão de depoimento; ex-ministro foi citado em vídeo onde Bejani aparece negociando dinheiro
Eduardo Kattah, de O Estado de S.Paulo
Veja também:
Em vídeo, Bejani recolhe dinheiro e fala de Dirceu
Dirceu nega acusação de propina e diz que situação é 'kafkiana'
Ministro nega pressão de Dirceu por verba a Juiz de Fora
PF prende prefeito de Juiz de Fora
A PF estuda abrir inquérito para apurar o caso e o ex-ministro será ouvido por meio de carta precatória, possivelmente em São Paulo. "A partir da oitiva e da análise de documentos, se ficar provado que há uma relação criminosa, abre-se um novo inquérito", informou uma fonte federal. Não há data para o depoimento, mas a PF quer agilizar a análise preliminar e deverá encaminhar a carta precatória ainda nesta semana.
Dirceu já negou o encontro com Bejani, interferência na liberação do financiamento e classificou de "infame e vil" a suspeita envolvendo seu nome.
Num dos vídeos apreendidos, que teria sido gravado no dia 10 de maio de 2006, Bejani - enquanto contava dinheiro supostamente de propina paga pelo empresário do setor de transporte coletivo Francisco José Carapinha, o Bolão - afirma que horas depois se encontraria com Dirceu em Belo Horizonte para tratar da liberação.
Já deputado cassado, o ex-ministro visitou a capital mineira no mesmo dia, quando atendeu um convite do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) para ministrar palestra sobre a mídia e a crise política.
Suspensão
O foco da análise da PF será o contrato de financiamento. A CEF confirmou que, diante das suspeitas, suspendeu preventivamente o processo de "execução/liberação de recursos" previstos no contrato de financiamento. Segundo o banco, já foram liberados R$ 1,86 milhão de um total de R$ 63,2 milhões, referente a recursos da Caixa, excetuando a contrapartida de R$ 6,3 milhões da prefeitura.
A pedido da PF, o Tribunal Regional da 1ª Região, em Brasília, prorrogou ontem (16) por mais cinco dias as sete prisões temporárias da Operação de Volta para Pasárgada, deflagrada no último dia 12. Bolão e dois irmãos estão entre os presos temporários. Outras sete pessoas cumprem prisão preventiva, entre elas Bejani.