quinta-feira, 16 de outubro de 2008, 18:51 | Online
Lula não quer que crise pegue Brasil 'de calças curtas'
Em Moçambique, presidente criticou países ricos e a elite brasileira.
Enviado especial da BBC Brasil a Maputo, Moçambique - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quinta-feira em Moçambique que o governo está trabalhando para evitar que o país seja pego "de calças curtas" com a crise financeira dos mercados mundiais.
"Nós estamos olhando (a crise) com lupa. Eu nunca conversei tanto com o ministro da Fazenda e com o Banco Central como eu tenho conversado nos últimos 30 dias. Conversado porque eu não quero que o Brasil seja pego de calças curtas, porque eu não quero jogar fora o patrimônio de responsabilidade que nós acumulamos nos últimos anos", disse Lula em uma reunião de empresários brasileiros e moçambicanos.
Para o presidente, os países ricos parecem estar "definitivamente" caminhando para uma recessão.
Lula criticou os países ricos que, segundo ele, "nas décadas de 80 e 90 passaram todo tempo nos ensinando como administrar os nossos países, e não estavam sequer administrando corretamente os seus países".
"Cadê a solidez da economia americana? Cadê o infalível Banco Central americano? O infalível FMI? O infalível Banco Mundial? O infalível Banco Central Europeu? Ou seja, será que eles não sabiam que o seu sistema financeiro estava envolvido na maior agiotagem financeira que o mundo conheceu? Será que eles não sabiam?"
Apesar das críticas aos países ricos, ele fez elogios ao pacote de medidas contra a crise lançado pelo primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown.
"Eu fico feliz quando eu vejo um homem que eu respeito profundamente, um homem sério, como o Gordon Brown, dizer ´eu não vou dar dinheiro para banco, eu vou comprar as ações do banco, eu vou ser sócio desse banco´. Eu acho isso extraordinário."
Lula disse que, no momento de crise, "a periferia da economia mundial é que está salvando o centro nervoso do capitalismo".
"O Brasil é um dos poucos países do mundo em que nós ainda não estamos querendo ficar sócios dos bancos", afirmou. O presidente voltou a prometer que nenhuma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) será interrompida devido à crise.
O mercado financeiro brasileiro voltou a ter fortes oscilações nesta quinta-feira devido à crise financeira mundial. O índice Bovespa fechou em queda de 1,06%.
Em Moçambique, Lula disse a jornalistas que "não se pode ficar preocupado se a bolsa sobe um dia e cai no outro".
"Ela (a bolsa) vai encontrar o equilíbrio dela na medida em que o mundo desenvolvido der a tranqüilidade necessária que a economia precisa."
Mentalidade colonizada
No encontro com empresários dos dois países, o presidente também criticou "a elite brasileira" por não diversificar os seus mercados, limitando as opções de compra e venda aos mercados ricos, que estão sendo mais fortemente afetados pela crise atual.
Segundo Lula, este seria o momento de se investir na África e em outras economias emergentes que estão crescendo.
"Embora a independência tenha sido conquistada no dia 7 de setembro de 1822, a cabeça da elite brasileira ainda está colonizada. Não subordinada mais à coroa portuguesa, mas subordinada à orientação econômica e a interesses eminentemente ligados aos chamados países desenvolvidos, sobretudo os Estados Unidos e a Europa." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
"Nós estamos olhando (a crise) com lupa. Eu nunca conversei tanto com o ministro da Fazenda e com o Banco Central como eu tenho conversado nos últimos 30 dias. Conversado porque eu não quero que o Brasil seja pego de calças curtas, porque eu não quero jogar fora o patrimônio de responsabilidade que nós acumulamos nos últimos anos", disse Lula em uma reunião de empresários brasileiros e moçambicanos.
Para o presidente, os países ricos parecem estar "definitivamente" caminhando para uma recessão.
Lula criticou os países ricos que, segundo ele, "nas décadas de 80 e 90 passaram todo tempo nos ensinando como administrar os nossos países, e não estavam sequer administrando corretamente os seus países".
"Cadê a solidez da economia americana? Cadê o infalível Banco Central americano? O infalível FMI? O infalível Banco Mundial? O infalível Banco Central Europeu? Ou seja, será que eles não sabiam que o seu sistema financeiro estava envolvido na maior agiotagem financeira que o mundo conheceu? Será que eles não sabiam?"
Apesar das críticas aos países ricos, ele fez elogios ao pacote de medidas contra a crise lançado pelo primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown.
"Eu fico feliz quando eu vejo um homem que eu respeito profundamente, um homem sério, como o Gordon Brown, dizer ´eu não vou dar dinheiro para banco, eu vou comprar as ações do banco, eu vou ser sócio desse banco´. Eu acho isso extraordinário."
Lula disse que, no momento de crise, "a periferia da economia mundial é que está salvando o centro nervoso do capitalismo".
"O Brasil é um dos poucos países do mundo em que nós ainda não estamos querendo ficar sócios dos bancos", afirmou. O presidente voltou a prometer que nenhuma obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) será interrompida devido à crise.
O mercado financeiro brasileiro voltou a ter fortes oscilações nesta quinta-feira devido à crise financeira mundial. O índice Bovespa fechou em queda de 1,06%.
Em Moçambique, Lula disse a jornalistas que "não se pode ficar preocupado se a bolsa sobe um dia e cai no outro".
"Ela (a bolsa) vai encontrar o equilíbrio dela na medida em que o mundo desenvolvido der a tranqüilidade necessária que a economia precisa."
Mentalidade colonizada
No encontro com empresários dos dois países, o presidente também criticou "a elite brasileira" por não diversificar os seus mercados, limitando as opções de compra e venda aos mercados ricos, que estão sendo mais fortemente afetados pela crise atual.
Segundo Lula, este seria o momento de se investir na África e em outras economias emergentes que estão crescendo.
"Embora a independência tenha sido conquistada no dia 7 de setembro de 1822, a cabeça da elite brasileira ainda está colonizada. Não subordinada mais à coroa portuguesa, mas subordinada à orientação econômica e a interesses eminentemente ligados aos chamados países desenvolvidos, sobretudo os Estados Unidos e a Europa." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
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