Política

sexta-feira, 17 de agosto de 2007, 13:31 | Online

Ao assumir Furnas, Conde diz que teve 'crise de identidade'

Kelly Lima, do Estadão

RIO - O ex-vice-governador do Rio, Luiz Paulo Conde, assumiu nesta sexta-feira, 17, a presidência de Furnas Centrais Elétricas, dizendo que teve uma crise de identidade ao ser convidado para ocupar o cargo.

 

"Confesso que todo o processo que me trouxe a Furnas, me criou uma verdadeira crise de identidade. Quando fui prefeito da maravilhosa cidade do Rio de Janeiro, muitos diziam que o meu principal defeito é que eu era técnico, e não político. Agora, dizem que o meu problema é que sou político, e não técnico.

 

O discurso de Conde foi realizado na cerimônia de posse no principal auditório de Furnas, no Rio, na qual a imprensa foi impedida de entrar.

 

 

A assessoria de imprensa de Conde alegou "falta de espaço" para acomodar os cinco jornalistas presentes, apesar de a empresa ter disponibilizado, além do auditório de 190 lugares, telões no saguão da empresa para cerca de 600 pessoas entre convidados e funcionários.

 

Presentes ao evento estavam o presidente da Eletrobrás, Valter Cardeal, e os presidentes das coligadas Eletronorte, Eletrosul e Eletronuclear.

 

O Ministério de Minas e Energia não enviou representantes. Substituindo o governador Sérgio Cabral, estava o secretário de Desenvolvimento do Estado do Rio, Julio Bueno, que compôs a mesa.

 

 

O maior atrativo de Furnas, porém, na avaliação de especialistas do setor, é o Programa Luz Para Todos, criado pelo governo federal em 2003 e que prevê energia elétrica a 10 milhões de brasileiros. Ao todo, estão previstos investimentos de R$ 12,7 bilhões, dos quais R$ 7,9 bilhões já foram assinados.

 

Mantido o cronograma, ainda faltam contratos de R$ 4,8 bilhões e outros R$ 8,9 bilhões a serem desembolsados até o fim de 2008, quando se prevê a conclusão do programa.



LUZ PARA TODOS

Coordenado pela Eletrobrás, o Luz Para Todos é operacionalizado pelas empresas regionais do grupo: Furnas (Sudeste), Chesf (Nordeste), Eletronorte (Norte) e Eletrosul (Sul). Como os recursos do Luz Para Todos não são do Orçamento da União, há menor controle sobre desembolsos.

 

Além disso, não há rigidez na liberação de recursos. "As regras são bastante flexíveis e o agente pode antecipar verbas para prefeituras de correligionários sem ferir nenhum dispositivo legal", explicou um técnico.

Os recursos são supridos por todos os consumidores de energia. Na conta de luz está incluída verba para a Conta de Desenvolvimento Energético e para a Reserva Global de Reversão e os dois fundos contribuem com 71,5% dos recursos. Outros 13,7% são supridos pelos Estados e 14,7% pelas distribuidoras de energia, que repassam os custos para as tarifas dos consumidores.

Segundo Minas e Energia, até meados deste mês o governo já assinou contratos beneficiando 1,267 milhão de famílias (6,337 milhões de pessoas) no valor de R$ 7,9 bilhões. O ritmo de contratação, porém, está abaixo do observado em 2006. Em 2004, foram contratos para 70 mil famílias; em 2005, 378 mil; e em 2006, 590 mil, quando atingiu média mensal de 50 mil famílias. A média deste ano está em 30 mil famílias por mês.


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