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quinta-feira, 15 de novembro de 2007, 19:53 | Online
General defende que Brasil desenvolva bomba atômica
Segundo secretário da Defesa, "no momento em que se sentir ameaçado", País pode deixar TNP
Expedito Filho
No mesmo programa, ele disse que o Brasil é alvo de cobiça por ter água, alimentos e energia, o que exigiria "colocar um cadeado forte na nossa tranca".
Sobre a bomba atômica, o general afirmou: "Nós temos de ter no Brasil a possibilidade futura de, se o Estado assim entender, desenvolver um artefato nuclear. Não podemos ficar alheios à realidade do mundo".
O general Moreira deixou espantados os deputados Raul Jungmann (PPS-PE)e José Genoino (PT-SP) e o professor Antônio Jorge Ramalho da Rocha, da Universidade de Brasília (UnB), que também participavam do programa.
Encarregado da estratégia e dimensionamento dos meios globais de defesa, o general admitiu que país poderá descumprir o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). O descumprimento ocorreria, segundo ele, no caso hipotético de um país vizinho fabricar a bomba ou "no momento em que o Estado se sentir ameaçado". Confirmadas essas duas condições, o país estaria autorizado a desrespeitar o tratado e a fabricar a sua bomba atômica.
Na visão geopolítica do general José Benedito Moreira, o mundo estaria cada vez mais perigoso e imprevisível. "Não estou defendendo que desenvolvamos artefato nuclear. Nenhuma nação pode se sentir segura se não desenvolver tecnologia que o capacite a se defender quando necessário", tentou corrigir, diante dos parlamentares dispostos a minimizar a gravidade de suas afirmações.
Genoino chegou a lembrar que "artefato nuclear" é diferente de submarino nuclear, também defendido por Barros Moreira. Jungmann condenou um eventual rompimento do TNP, mas observou que, em tese, entendia o realismo exposto pelo general.
"CADEADO NA TRANCA"
O general Moreira disse que o atual panorama aponta para um mundo violento e perigoso. Os sinais de eventuais conflitos entre os nossos vizinhos já teriam até sido captados pelo Ministério da Defesa.
"Estamos colhendo na nossa área sul-americana pontos de tensão que podem se desenvolver e devem ser observados e acompanhados", disse o secretário de Política, Estratégia e Relações Internacionais do Ministério da Defesa, sem, contudo, mencionar os focos de tensão.
Para ele, as mudanças no plano global levaram o governo brasileiro a tratar como prioritário o reequipamento das Forças Armadas. O general Monteiro lembrou que, com a evolução econômica dos últimos anos, o Brasil se tornou alvo, já que é um país rico em água, minérios, alimentos e agora petróleo.
"Esse alvo é nossa riqueza. O mundo carece de água, energia, alimentos e minérios. O Brasil é rico em tudo isso. Por isso tudo nós temos que colocar um cadeado forte na nossa tranca", afirmou.
O governo petista já teria percebido, na avaliação do general, as vulnerabilidades das Forças Armadas. Essa percepção teria sido imposta pelo ministro Nelson Jobim ao assumir o posto da Defesa.
"Hoje, o próprio presidente da República percebe a necessidade de que as Forças Armadas sejam capazes de defender o País, já que não temos intenção expansionista. A chegada do ministro Nelson Jobim trouxe a sua percepção política. Já tardava a retomada do desenvolvimento militar", afirmou.
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