Política
segunda-feira, 3 de dezembro de 2007, 13:14 | Online
'Quem não deve não teme', diz Tião Viana sobre 'espionagem'
Presidente interino do Senado comenta nova denúncia contra Renan, de suposta espionagem contra senadores
Agência Senado
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"Essa é uma polícia que tem a norma constitucional como manto das suas obrigações, das suas funções. Não seria nem um pouco inteligente, muito menos possível, imaginar que a Policia do Senado sairia de suas atribuições constitucionais para criar um caminho de investigação, de arapongagem, contra a vida de um senador. Por que razão alguém escolheria o senador Marconi Perillo para investigar? Por que não escolheria os 81 senadores? Por que escolher algum senador? ", disse.
Logo que a revista chegou às bancas, a Secretaria de Polícia do Senado providenciou a abertura de investigação para apurar a denúncia. Também emitiu nota negando qualquer iniciativa de espionagem contra parlamentar. De acordo com a Veja, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (PTB-SP), pediu à Polícia Federal que instaure inquérito para apurar possível caso de espionagem. O presidente interino do Senado disse que nada ficará sem explicação.
"Essas questões têm de ser tratadas de maneira muito elevada. Eu acho que o senador Romeu Tuma (corregedor do Senado) deve explicações à Presidência sobre se ele pediu ou não abertura de inquérito (a esse respeito) à Policia Federal. Essa questão deve ser tratada primeiro no âmbito do Senado. E nós não podemos deixar qualquer senador com dúvida a respeito de haver ou não algum movimento conspiratório contra ele. Enquanto o Senado for um instituição com responsabilidade, com ética, com elevação moral, ele não deve permitir qualquer dúvida sobre a tranqüilidade e a paz que devem nortear a função e a atividade de cada senador".
Questionado se acha a denúncia inverossímil, Viana disse que "não vou fazer juízo de valor sobre a denúncia. Eu prefiro dizer que eu acredito na autoridade moral, na responsabilidade institucional do Senado, e na Polícia do Senado. E acredito que não seria nem um pouco inteligente ou exeqüível que se pudesse aceitar que a Policia do Senado fizesse um desvio de função tão claro" - considerou.
"Agora, ao confiar nessa polícia, eu fico mais tranqüilo ainda pela atitude que teve o diretor da Polícia do Senado em abrir inquérito imediatamente para investigar de onde saiu tal assunto e por que caminhos esse assunto chegou até um meio de comunicação. Porque isso é muito importante ser esclarecido".
Nova denúncia
Conforme a revista, a Polícia do Senado teria contratado dois escritórios de detetives - um em Brasília e outro em Goiânia - para bisbilhotar a vida de Perillo. Os arapongas estariam orientados a identificar desde supostos negócios fraudulentos entre o parlamentar e empresários até supostas contas bancárias dele no exterior. Investigação secreta feita pela polícia goiana, segundo a denúncia, constatou que um dos escritórios contratados seria a Central Única Federal dos Detetives do Brasil, que teria grampeado os telefones do senador e até violado seus sigilos bancário e fiscal.
O corregedor do Senado, Romeu Tuma, pediu uma audiência nesta segunda-feira com o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, para expor o caso. A abertura do inquérito policial, porém, depende de autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), uma vez que, como senador, Renan tem direito a foro especial. Mas em caráter reservado, a Inteligência da PF já está fazendo levantamento preliminar, a pedido do corregedor, sobre arapongagem contra adversários políticos do presidente licenciado do Senado.
Votação em plenário
Nesta terça-feira, Renan enfrentará sua segunda votação , em plenário, pela cassação do seu mandato.Desta vez, ele será julgado pela denúncia de usar "laranjas" para comprar duas emissoras de rádio em Alagoas.
No dia 12 de setembro, Renan foi absolvido da acusação de ter despesas pessoais pagas por um lobista ligado à construtora Mendes Junior.
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