Política

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007, 17:23 | Online

ENTREVISTA-Líder tucano faz gesto para retomar CPMF em 2008

NATUZA NERY - REUTERS

NOVA YORK - A mesma oposição que abortou a CPMF no Senado já está disposta a retomar o diálogo para prorrogar o tributo no ano que vem. Vitoriosa, faz exigências para sentar-se à mesa de negociação: só reconsidera seu voto se a proposta estiver no bojo de uma reforma tributária.

"Vamos discutir com muita humildade. O governo precisa dizer o que quer e o que pode fazer, mas não podíamos votar daquele jeito, sob pressão. Queremos discutir a CPMF, estou pronto para começar a discutir isso hoje, mas tem que ser na reforma tributária", afirmou nesta quinta-feira o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (AM), em entrevista de Brasília por telefone à Reuters.

Emissários do Palácio do Planalto já começaram a cortejar o senador. Ele disse ter sido procurado pelo deputado Antonio Palocci (PT-SP) e por um outro parlamentar em nome do ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.

Fortalecido pelo placar, o líder tucano distribui exigências na primeira pessoa e alerta: se o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quiser aprovar o segundo turno da prorrogação da DRU (Desvinculação das Receitas da União), vai ter de segurar o ímpeto das críticas.

"Eu quero redutor de gastos públicos, eu quero redução de alíquotas. Eu quero, inclusive, respeito (...) Se Lula retaliar, dificulta, e não consegue aprovar mais nada. Estou disposto a discutir a partir de hoje, mas com quem me respeita. Se ele tiver juízo, não retalia. Se não, não aprova nem a DRU, que está nas nossas mãos", desafiou.

Lutador de uma das artes marciais japonesas mais populares do Brasil, o jiu-jitsu, Arthur Virgílio imobilizou seu oponente e, apesar das divisões internas e dos protestos dos governadores tucanos, conseguiu unanimidade a seu propósito.

Horas antes da votação da proposta, ele afirmou que deixaria o comando da bancada caso seus colegas não acompanhassem sua orientação.

"Eles fizeram apelos. Os governadores (do partido) sabem que não existem portas fechadas. O papel deles é se dar bem com o governo federal. Meu papel é fazer um discurso duro e exigir respeito", alfinetou.

"Nossa bancada é sempre muito presente quando precisamos defender nossos governadores, quando eles precisam de empréstimos e financiamentos. Eu quero uma democracia de cidadãos, não de cordeiros", completou.

RECADO PARA DENTRO

Arthur Virgílio afirma, orgulhoso, que seu partido "acordou maiúsculo após a CPMF" e indicou que a disputa em torno da tributação se insere, também, na cruzada do PSDB em rearranjar suas forças e superar as duas últimas derrotas nacionais para o PT.

Assim como na luta milenar, Virgílio usou a força do adversário contra ele próprio e fez o governo perder, em uma madrugada, arrecadação anual próxima a 40 bilhões de reais.

Enquanto o Senado se preparava para votar a PEC na véspera, mais uma pesquisa de opinião indicava a alta popularidade de Lula em patamares ainda mais elevados que em sondagens anteriores.

Para o parlamentar, que chegou, no passado, a prometer uma surra no presidente, PSDB e DEM não estão descolados da opinião pública. Ao contrário, votaram com ela.

"Nunca vi povo gostar de imposto. Por isso, temos que discutir o retorno da CPMF dentro de uma reforma tributária. Popularidade por popularidade, o Fidel Castro e Hugo Chávez têm. Mas popularidade é feito vento. Vira fácil de direção. Quem se deixa levar pelo vento é biruta."

(Edição de Carmen Munari)

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