'5 Frações de Uma Quase História' traz dramas em BH
Cidade de Minas Gerais é o que realmente une os episódios do 1.º longa de ficção da produtora Camisa Listrada
É o primeiro longa de ficção da produtora mineira Camisa Listrada, que busca, como dizem seus integrantes, "uma terceira via para o cinema de Minas Gerais". Existe de um lado o cinema do veterano Helvécio Ratton, espécie de cronista da realidade, e de outro a força dos videomakers mineiros, à sombra do grande Éder Santos. A Camisa Listrada opera nas bordas. Nem tão careta, ou com medo da experimentação visual, nem tão seduzida por ela que possa descuidar do resto. Veja também: Diretores explicam '5 Frações de Uma Quase História'' Trailer do filme São seis os diretores - Guilherme Fiúza,Armando Mendz, Cristiano Abud, Cris Azzi, Lucas Gontijo e Thales Bahia - que assinam '5 Frações de Uma Quase História'. Quando surgiu a possibilidade de fazer o filme em episódios, cada um desenvolveu o seu, sem outras interferências do coletivo que não a de amigos que opinam nos trabalhos um dos outros. Mas, depois, o grupo percebeu que as diferentes frações totalizam uma história - e ela tem muito a ver com a solidão urbana, a angústia e a desesperança. Embora tenham sido tomados cuidados especiais na finalização para garantir certa unidade às Frações, o que realmente une o filme é o cenário comum - a cidade de Belo Horizonte. Robert Altman pode ser considerado uma referência. Afinal, ninguém como ele gostava de soltar a câmera entre diversos personagens, contando histórias cruzadas que viraram sua marca desde Nashville, a obra-prima de 1975. Mas no 11º Cine-PE, no ano passado - do qual 5 Frações saiu com duas Calungas, melhor direção de arte e prêmio especial do júri -, Armando Mendz disse que a preocupação foi justamente evitar um novo Short Cuts. "Somos todos pessoas que vêem muito cinema. As referências devem estar lá, e não apenas o Altman, mas outras, porque somos várias cabeças. Sabíamos o que não queríamos - Short Cuts é muito fragmentado, quisemos dar mais unidade à história." Para isso, o próprio Mendz contribuiu também como montador. Ele assina o episódio A Liberdade de Akim, com Jece Valadão, e também no Recife, há um ano, Mendz disse que o ator, que tem aqui seu último papel completo - morreu durante as filmagens de 'A Encarnação do Demônio', de José Mojica Marins -, foi sempre generoso, grande contador de histórias e em nenhum momento forneceu elementos para justificar o que seria sua fama de‘cafajeste’. Guilherme Fiúza esteve nesta semana em São Paulo com mais dois integrantes do colegiado de 5 Frações, Cris Azzi e Thales Bahia. Vieram justamente para prestigiar o lançamento e dar entrevistas como a que você encontra na TV Estadão. Dirigem, respectivamente, '145', 'Qualquer Vôo' e 'O Magarefe' (em parceria com Lucas Gontijo). Fiúza veio diretamente do Recife, onde o curta 'Os Filmes Que Não Fiz', de Rodolfo Scarpa, por ele produzido em outra empresa, a Abuzza Filmes, ganhou duas Calungas, a de melhor direção de arte (de novo) e a de melhor filme do formato. Fiúza gosta de dizer que não é o autor do livro 'Meu Nome Não É Johnny' - que virou filme de Mauro Lima, com Selton Mello -, acrescentando que o nome comum já provocou constrangimentos a ambos. Fiúza integrou várias vezes as equipes de Helvécio Ratton, incluindo em 'Uma Onda no Ar' e 'Batismo de Sangue'. "Tenho imenso respeito por ele, que criou um padrão de referência e confiabilidade para o cinema de Minas. Helvécio mostrou que somos sérios, e isso é necessário quando se busca patrocínio." Mas nem ele nem os demais integrantes da produtora Camisa Listrada querem permanecer à sombra de quem quer que seja.
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