50 anos sem o pintor Lasar Segall, um lituano no Brasil
Intensa programação, incluindo mostra com recorte inusitado, homenageia o artista
Há 50 anos morria Lasar Segall (1891-1957). Dez anos depois, por iniciativa da viúva, Jenny Klabin Segall, começava a ganhar corpo a instituição museológica que preserva sua obra. Uma série de eventos foi organizada para relembrar essas datas e dar uma visibilidade pública diferenciada ao pintor lituano radicado no Brasil, dando a um público mais amplo a oportunidade de conhecer seu trabalho e entender a importância de sua obra no contexto do modernismo brasileiro e internacional. A mais destacada dessas iniciativas é a exposição Lasar Segall Realista (ler ao lado), que deverá ser inaugurada em dezembro na Galeria do Sesi e que depois segue para Curitiba (Museu Oscar Niemeyer) e Rio de Janeiro (Museu Nacional de Belas Artes).
Galeria de fotos
Mas já no próximo mês o museu instalado na sua antiga residência, no bairro paulistano de Vila Mariana, dá início a uma programação intensa. Aproveitando a coincidência de datas entre a Primavera dos Museus - ação promovida em âmbito nacional como uma espécie de "Virada Cultural" museológica - e o aniversário de fundação da instituição, será realizada uma ampla programação em torno da exposição de longa duração, Lasar Segall: Construção e Poética de Uma Obra, com direito a atividades educativas; leituras dramáticas e workshops de gravura, fotografia e redação. Também para setembro estão programadas outras atividades em torno do artista, como o lançamento de 25 múltiplos da escultura Maternidade, executada em 1936 por Segall, em evento promovido pela Associação de Amigos do museu na Fundação Ema Gordon Klabin - que era prima e companheira da viúva de Segall - no dia 24.
Museu
Como explica a diretora da instituição, Denise Grinspum, a mostra concebida pela equipe do museu tem como objetivo demonstrar como se deu o percurso da obra, quais foram as principais fases e como o artista desenvolvia seu processo de trabalho. E tem profunda relação com a própria trajetória da instituição, uma das mais importantes coleções monográficas do País. Fundado em 1967 no espaço que fora a residência do artista por várias décadas, o museu é incorporado ao Instituto de Patrimônio Histórico e Cultural (Iphan), órgão federal, em 1985. Segundo Denise, isso garantiu um novo dinamismo. "Com um corpo funcional maior, com especialistas, foi possível ampliar a política de exposições em âmbito nacional e internacional, elevar o número de publicações e dinamizar setores já existentes, como os laboratórios de redação e fotografia, o coral, o ateliê de gravura e instalar a área de ação educativa, que trabalha sistematicamente na formação de novas gerações de espectadores", explica.
Reunindo mais de 3 mil obras doadas pelos filhos do artista, Maurício e Oscar Klabin Segall, o museu também possui uma ampla documentação sobre o modernismo brasileiro e europeu, propõe uma série de diálogos entre a obra de Lasar Segall e outros artistas modernos e contemporâneos, uma das características do trabalho que desenvolve. Atualmente está em cartaz no museu mostra de trabalhos de Hilde Weber. E está prevista para dezembro, uma grande exposição que terá por fio condutor a obra mestra Navio de Emigrantes, pintada por Segall no fim dos anos 30 e início dos 40, sob o impacto da ascensão do terceiro Reich na Alemanha e da fuga em massa dos judeus.
A ênfase dada à tela vai muito além dos aspectos biográficos do artista. "Segall é um artista em que se cruzam muitos eixos, e a questão judaica no Navio de Emigrantes interage com muitas outras questões, tanto temáticas (a emigração, a errância, por exemplo) como artísticas (o diálogo da pintura com o desenho, a gravura, a fotografia). Em poucas palavras, é uma obra-prima, que merece atenção concentrada", afirma a diretora do museu. Com a mostra, será editado um catálogo em que quatro críticos diferentes ampliam ainda mais os olhares sobre sua obra.
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