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A maioridade do Afroreggae

Com 'Urucubaca!', peça escrita por Jorge Mautner, trupe do projeto faz primeira incursão como profissional

29 de abril de 2011 | 6h 00
Maria Eugênia de Menezes - O Estado de S. Paulo

Não é de hoje que o teatro faz parte da história do AfroReggae.Em modestas encenações, apresentadas quase sempre em escolas, o projeto mobilizava seus alunos para temas das comunidades onde viviam. Urucubaca!, espetáculo que chega hoje ao Sesc Santana, sinaliza um ponto de inflexão nessa história.

Trama é mesclada com números de canto e dança  - Guga Melgar/Divulgação
Guga Melgar/Divulgação
Trama é mesclada com números de canto e dança

Com texto inédito de Jorge Mautner, a peça marca a estreia profissional da trupe. Pela primeira vez, o AfroReggae volta-se mais à dimensão artística e menos ao alcance social do que está produzindo. "O sonho sempre foi transformar nosso grupo amador em profissional. Nos preparamos quatro anos para isso", diz Johayne Hildefonso, que divide a direção da montagem com Malu Cotrim e responde pela coordenação artística do AfroReggae.

A preparação a que se refere o diretor incluiu aulas de canto, dança e preparação corporal. Antes de abrir temporada no Rio de Janeiro, também "esquentaram" a montagem com passagens pelos festivais de Liverpool, na Inglaterra, e Aberdeen, na Escócia. O que parece ter feito a diferença, contudo, foi a ambição de se cercar de profissionais que tivessem projeção para além dos limites do projeto. Daí, o convite para Jorge Mautner se encarregar da dramaturgia e para outros nomes integrarem a ficha técnica de Urucubaca!. Caso de Nelson Jacobina, responsável pela supervisão musical.

Entremeada por números de dança e com acompanhamento da banda Kitôto - que executa ao vivo a trilha sonora -, a peça de Mautner não conta uma história de forma linear. É constituída basicamente por esquetes, nos quais despontam situações próprias do cotidiano das grandes favelas cariocas - como a violência e o tráfico de drogas. "Quando começamos a ensaiar, Vigário Geral ainda estava em guerra. Então, qualquer situação de improvisação caía, inevitavelmente, em morte. Resolvemos assumir isso, até para conseguir exorcizar e depois partir para outras coisas", comenta Hildefonso.

Além da guerrilha urbana, a obra aborda pontos típicos do universo de qualquer grupo de adolescentes. Reúne uma série de referências, de cunho erudito e popular. E, mesmo resvalando no trágico, não abre mão da comicidade. Depois de cumprir curta temporada em São Paulo, o espetáculo deve seguir em turnê por outras capitais.

URUCUBACA! - Sesc Santana. Avenida. Luiz Dumont, 579, tel. 2971-8700. Hoje e amanhã, às 21 h; domingo, às 18 h. R$ 4 a R$ 16. Até 1.°/5