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Autor iraniano exilado cria 'novela' em quadrinhos na web inspirado em blogs

Obra sobre busca de mãe por filho reúne artista gráfico iraniano, ilustrador árabe e editor judeu

16 de fevereiro de 2012 | 6h 09

LONDRES - Uma história em quadrinhos serializada na internet que conta eventos reais ocorridos no Irã após os protestos de 2009 acaba de ser lançada em versão impressa em português.

História reúne relatos reais de iranianos feitos na internet - BBC/Reprodução
BBC/Reprodução
História reúne relatos reais de iranianos feitos na internet

O livro é resultado de uma colaboração entre um autor iraniano, um artista gráfico árabe e um editor judeu. Para sua proteção, os autores, Amir e Khalil, usam nomes fictícios.

Intitulado O Paraíso de Zahra - nome também de um cemitério em Teerã - o livro conta a história de uma mãe (Zahra) à procura do filho desaparecido (Medhi, de 19 anos).

Em entrevista à BBC, o escritor Amir e o editor Marc Siegel explicaram como a versão original online foi capaz de driblar a censura e atingir uma audiência maior.

"Eles vieram para mim com essa história que tinha de estar no mundo rapidamente, agora", disse Siegel. "Então decidimos serializar a história na internet, usando apenas os primeiros nomes dos autores, para protegê-los. Publicávamos capítulos toda segunda, quarta e sexta", continuou.

'Jornalismo coletivo'

O iraniano Amir deixou seu país de origem aos 12 anos, logo após a Revolução Islâmica de 1979. Ele viveu por alguns anos na Grã-Bretanha e hoje mora nos Estados Unidos.

"O Paraíso de Zahra conta a história de uma mãe que descobre que seu filho desapareceu durante os protestos de 2009 no Irã", explicou Amir. "Então, ela tem de descobrir onde o filho está. Mas como você encontra um filho desaparecido em um país como o Irã?", indaga.

"Esse é o irmão", disse Amir, apontando para uma imagem. "O irmão é um blogueiro, e são os blogueiros que estão não apenas desafiando a república islâmica, mas também contando as histórias do Irã". O irmão de Medhi procurou por ele em hospitais, prisões e tribunais.

Suas experiências, assim como a de outros iranianos, relatadas em blogs e em vídeos publicados no YouTube, foram sendo alinhavadas na trama, incorporadas a cada novo capítulo. "Nós pegamos imagens e histórias que os próprios iranianos estavam publicando e colocamos tudo junto em uma história maior".

Censura

Amir aponta para outra imagem: "Esse é um líder estudantil. Eles o forçaram a se vestir de mulher". "Ele ainda está na prisão de Evin e uma das razões pelas quais estamos fazendo (os quadrinhos) é justamente para que ele saia da prisão. (A serialização da história na internet) foi um ato de jornalismo coletivo", diz. "E éramos um editor judeu, um artista árabe e um autor iraniano!"

Ele ainda diz que, se você é um jornalista no Irã, há grandes chances de que sua câmera seja confiscada. "Mas tudo o que você precisa é de uma caneta e a sua imaginação", afirma Amir.

"Quando você combina a imagem e a internet, todas as barreiras de espaço, tempo e linguagem que te impedem de dar seu recado com rapidez desaparecem. A ideia de que o regime silenciou as pessoas no Irã é totalmente errada", acrescenta.

Público Silencioso

O editor Siegel conta que à medida que os capítulos iam sendo colocados na internet, a equipe recebia informações sobre quem estava lendo as histórias e onde. "Conferíamos os números no (site de buscas) Google e víamos que as pessoas estavam lendo as histórias em Teerã e em 40 outras cidades".

O Paraíso de Zahra está disponível no Brasil, publicado pela editora Leya Brasil.

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