Baú de Leminski com fotos, vídeos e painéis é revelado em SP
Inéditos garimpados no acervo do poeta curitibano, morto há 20 anos, estão em 'Ocupações', no Itaú Cultural
Em Curitiba, a islandesa Björk cantou seus mantras pop na Pedreira Paulo Leminski. O britpop desgarrado dos Arctic Monkeys também deu as caras por lá. Mas será que a bela plateia imberbe dos grandes shows de pop e rock lembra quem foi o tal Leminski que deu nome à gélida pedreira curitibana?

A próxima semana será uma boa ocasião para desvendar-se o poeta-samurai que também amava o rock, mas não só. Morto há 20 anos, Leminski era ainda tradutor de japonês, inglês, francês, latim, espanhol, judoca faixa-preta, monge iniciante, compositor popular, biógrafo, professor de história e de redação, publicitário, contista e trotskista que sonhou dar o nome de Leon ao filho (o neto ganhou o nome).
A obra múltipla de Paulo Leminski (1944-1989) é o foco da mostra Ocupação Paulo Leminski: Vinte Anos em Outras Esferas, no Itaú Cultural, de 1º de outubro a 8 de novembro - com leitura de poemas por Alice Ruiz, viúva do autor, e o dramaturgo Mário Bortolotto, para convidados, na próxima quarta-feira, dia 30 de setembro. Outras atrações são Moraes Moreira e uma brigada de escritores "em processo, criando poemas ao vivo. Ocupações é uma série do Itaú Cultural que já teve como "hóspedes" o diretor José Celso Martinez Correa e do artista plástico Nelson Leirner.
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Leminski, que transou Oriente e Ocidente, zona norte e zona sul, música falada e música cantada, teatro nô e políticas utópicas, ressurge em todas suas facetas, com mil e um aperitivos extras na jornada - poemas inéditos, preciosos manuscritos que revelam a gênese do antirromance Catatau, depoimentos pessoais gravados em vídeo e shows musicais
É uma mostra fundamental para entender o processo de Leminski, que escrevia enquanto vivia, e vivia em alta velocidade - acharam poemas até em maços de cigarro e guardanapos de papel de restaurantes. Fragmentos de uma obra antitotêmica, furiosamente inimiga dos cânones, se transformam em painéis cenográficos, a obra reassumindo uma visualidade nova. Os curadores descobriram também fragmentos manuscritos do mais cultuado livro do artista, que ele escreveu aos 30 anos, O Catatau, uma espécie de Finnegan’s Wake (obra-chave de Joyce) para uma geração.
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