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Bebel Gilberto sintetiza eletrônico e acústico em novo CD

Momento, 3.º CD da cantora, faz ponte entre Ipanema e Manhattan; ela fala sobre o álbum com David Byrne

20 de agosto de 2007 | 20h 01
Tonica Chagas, especial para o Estadão

Com o primeiro (Tanto Tempo, lançado em 2000), ela deu um banho eletrônico na bossa nova, conquistou as pistas dos clubes mundo afora e a posição de artista brasileira que mais vendeu discos nos Estados Unidos desde os anos 60. Com o segundo (Bebel Gilberto, de 2004), ela diminuiu o lounge e aumentou o acústico para reforçar seu lado de compositora e brasileira. Com Momento, seu terceiro CD em sete anos, ela quis fazer uma fusão daquelas duas vertentes.    Ouça a música Tranqüilo   Ouça a música Os Nova Yorkinos      Misturando o sabor carioca da Orquestra Imperial com o melting pot nova-iorquino do Brazilian Girls, e seguindo o diapasão do produtor inglês Guy Sigsworth (o parceiro de Madonna em What It Feels Like for a Girl), Momento reafirma o caráter internacional de Bebel. Há 16 anos, a filha de João Gilberto e Miúcha trocou Ipanema, onde cresceu, por Manhattan, onde nasceu.   Lançado em abril nos Estados Unidos e na Europa, pelas gravadoras Crammed e Ziriguiboom, Momento chegou agora ao Brasil pela Sony BMG. É resultado de um ano e meio de trabalho, produzido entre Londres, Nova York e Rio. Como em Bebel Gilberto, a maioria das músicas foi composta por ela, que ora usa o português (como em Um Segundo), ora o inglês ou então as duas línguas ao mesmo tempo (como em Words) para se expressar melhor.   Sigsworth, que produziu quatro das 11 músicas do CD em parceria com ela (Close to You, Cadê Você, Azul, mais a do título do disco), deu o tom. Mas a cara internacional de Momento tem fortes feições brasileiras na mistura de ritmos e gêneros, seja na caribenha Tranqüilo, de Kassin, no standard de Cole Porter Night and Day, ou no baião rasgado de Caçada, composta em 1972 por Chico Buarque, tio de Bebel, para Quando o Carnaval Chegar, filme de Cacá Diegues.   Dos amigos Didi Gutman e Sabina Sciubba, do Brazilian Girls, ela ganhou o eletro-samba Bring Back the Love. Com a mesma dupla, depois de verem juntos um show do U2 no Madison Square Garden, ela fez a também bilíngüe Os Novos Yorkinos, homenagem à cidade onde vivem e, por tabela, um tributo aos Novos Baianos.   A turnê de divulgação de Momento começou na Europa, passou por algumas cidades americanas e pelo Canadá com Bebel de pé esquerdo numa bota de gesso. Pouco antes do lançamento do disco, um bêbado com quase o dobro da sua altura despencou em cima dela, que ainda riu ao ver como o pé ficou pendurado e balançando. Foram duas cirurgias, a primeira em março e a segunda dois meses depois, para colocação de 16 pinos. Por causa do acidente, Bebel teve de acompanhar os ensaios da sua banda imóvel na cama e via Skype.   Este mês, ela está de novo com o pé na estrada. Vai participar de festivais em Estocolmo e Helsinque. Depois retoma a turnê pelos Estados Unidos e, entre novembro e dezembro, deve passar pelo Brasil, onde pretende fazer shows no Rio, em São Paulo, Salvador e algumas cidades do Sul.   David Byrne X Bebel Gilberto   Um dos primeiros trabalhos de Bebel Gilberto como cantora em Nova York foi fazer vocal num disco de David Byrne, o ex-guitarrista e compositor do Talking Heads, cuja relação com a sonoridade brasileira é uma paixão. Tanto que, em 1988, ele criou o selo Luaka Bop para gravar a coletânea Beleza Tropical, com músicas de Jorge Ben Jor, Lô Borges, Nazaré Pereira, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e Chico Buarque. De lá para cá, a Luaka Bop gravou discos de Tom Zé, dos Mutantes, de Kassin, e acaba de lançar What’s Happening in Pernambuco?, uma seleção do que David considera como o que há de melhor na música daquele Estado do Nordeste brasileiro, tanto no som eletrônico como na música tradicional.   Conhecedor profundo e um dos maiores divulgadores da música brasileira nos Estados Unidos, David aceitou o convite do Caderno 2 para entrevistar Bebel Gilberto sobre Momento, o terceiro disco que ela lança internacionalmente. O encontro dos dois em Nova York ocorreu no escritório dele, no Soho, onde o artista multimídia centraliza suas outras produções, seja em literatura, vídeo, pintura ou design de cadeiras (uma delas, com estrutura de metal e bolinhas coloridas de madeira, foi usada durante a entrevista).   A seguir, os principais trechos da conversa:   David Byrne - Nesse seu novo disco, você trabalhou aqui em Nova York com o Didi Gutman e a Sabina Sciubba, do Brazilian Girls, com a Orquestra Imperial e o Kassin, no Rio... Como foi o processo de criação com o Kassin? Bebel Gilberto - Não houve isso porque Tranqüilo é uma música dele, do repertório deles, que eu quis gravar. A parte difícil foi ter a Orquestra Imperial como queríamos, em estúdio e como se fosse ao vivo. Não podíamos ter uma banda de 19 componentes num estúdio por uma semana. Tivemos de trabalhar em dois dias e depois fizemos uns dubbs, trabalhamos numa peça para o trombone. Eu adoro sopros, gosto de me envolver nos arranjos. Foi muito legal.   David - Eles estão fazendo algum disco agora? Bebel - Eles acabaram de lançar um disco. Foi incrível trabalhar com a orquestra! Eu adoro o Kassin! Ele fez dois remixes pra mim antes disso. Nesse caso também não houve processo de criação, mas eu adoraria um dia compor com ele. Já com o Guy Sigsworth (produtor inglês com quem ela gravou parte do disco) foi um mundo totalmente diferente. Ele me deu duas semanas do tempo dele, todos os dias, das 11 às 9. E eu pensei: "Ô, meu Deus, como é que vou ser criativa assim? Será que isso vai funcionar?"   David - Ele está em Londres? Bebel - Está. Lá eu tinha de acordar cedo e às vezes chegava pra compor e ele dizia: "Não, não, não. Hoje eu quero que você faça este vocal, não quero que escreva nada." Eu tinha de estar sempre preparada porque, se ele quisesse que eu cantasse e, na noite anterior, eu tivesse bebido, fumado... Eu tinha de levantar às 8 horas, tomar café da manhã antes de aquecer a voz... Realmente não tenho disciplina pra isso! Mas essa era a única maneira de trabalhar com o Guy. Foi muito produtivo.   David - Vocês fizeram algumas músicas juntos. Close to You foi feita em parceria, não é? Bebel - É, a maioria delas foi colaboração entre nós dois.   David - E com o Didi e a Sabina? Vocês são muito chegados... Bebel - Com eles foi mais relaxado. Foi muito fácil e ao mesmo tempo muito difícil. Principalmente por estar trabalhando com um casal que me conhece tão bem.   David - Foi mais difícil porque vocês são amigos? Bebel - Acho que sim. Sabina e eu somos amigas há cerca de oito anos e conheço o Didi há 15 anos. Trabalhamos muito escrevendo juntos e daí nos separando, trabalhando nas letras... Sabina escreveu trechos incríveis para Os Novos Yorquinos. Eu tinha algumas idéias e palavras e ela juntou tudo. Trabalhou também como produtora, sugerindo como eu podia cantar. Trabalhamos juntas na casa dela, enquanto cozinhávamos. Acho que isso me deu o equilíbrio entre trabalhar com o Guy e também ser eu mesma, ser doida, chamar os produtores, no caso eles dois, e dizer: "Olha, eu odeio esse vocal. Podemos fazer de novo? Mas quero fazer na sua casa!"   David - Isso é uma coisa que se pode fazer hoje: gravar uma coisa no estúdio, levar pra casa e trabalhar. Bebel -É fascinante! Fizemos muita coisa assim. Em Os Novos Yorkinos, por exemplo, tem barulho da Canal Street em todo o começo, pessoas falando no porão do Nublu (clube underground do East Village, em Nova York). Partes de Momento têm sons de alguém fazendo comida na cozinha, o Mauro tentando instalar luzes numa sala, o Jorge no banheiro tocando flauta... (Mauro Refosco e Jorge Continentino, da banda brasileira formada em Nova York ,Forró In The Dark, também tocam com Bebel)   David - No processo de composição, você vem com algum esboço, uma idéia, com algumas palavras, uma melodia ou é diferente a cada vez? Bebel - É diferente a cada vez. Em Bring Back the Love, por exemplo, eu pedi pro Didi e pra Sabina escreverem uma música. Minha única participação nessa faixa foi corrigir o português da Sabina. É o feeling dela me vendo como cantora, como mulher. Em Os Novos Yorkinos, fomos pro estúdio, começamos a improvisar e a melodia veio imediatamente. Voltamos pra casa, demos um tempo e depois trabalhamos muito na letra. A gente ainda estava mudando palavras até a hora de gravar! Esse é um bom exemplo de como se pode fazer música e escrever sem sofrer, sem estar num processo das 9 às 5. Acho que levou um mês pra gente completar a música, mas foi muito divertido fazer isso.   David - Para mim, Momento e o seu segundo Bebel Gilberto parecem ter mais mistura de instrumentos ao vivo e eletrônicos, mais do que em Tanto Tempo. Isso seria influência das turnês, das suas apresentações? Bebel - Acho que você está certo. Acho que tentei ser mais verdadeira, em vez de manipular muito. Tive muita sorte de trabalhar com o Mauro, com o Masa (o violonista japonês Masa Shimizu). Foi incrível trabalhar com gente que compôs comigo e que toca junto, ao vivo. Eu me distanciei um pouco do eletrônico, mas também bebi dessa água.   David - Teve algum período no Brasil que era difícil o público aceitar o que você fazia musicalmente? Bebel - Acho que sim. Não falo muito sobre isso porque parece maluco. O meu segundo disco é Bebel Gilberto. O meu primeiro disco, um LP gravado no Brasil em 1985, era também Bebel Gilberto. Quando saiu - talvez por eu não ter pensado sobre marketing, não tinha tantas músicas como todo mundo queria - ele meio que ficou perdido no mapa. Nem os diretores da gravadora sabiam onde me encaixar. Para mim, tudo bem. Eu não queria fazer parte daquele "rock brasileiro" que estava acontecendo e queriam que eu integrasse. Eu não tenho certeza da categoria que me colocam no Brasil, se é como cantora brasileira ou artista internacional...   David - É mesmo? Tem quem diga que você é uma artista internacional que canta em português... Bebel - Pois é... Na maioria das vezes... Agringa...






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