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Biógrafo de Paulo Coelho diz que obra foi difícil de escrever

Para Fernando Morais, dimensão humana do autor era desconhecida da maioria de seus leitores

01 de junho de 2008 | 18h 09
Ubiratan Brasil

Um público ávido por notícias sobre Paulo Coelho, o escritor e jornalista Fernando Morais falou hoje, domingo 1º, sobre seu mais recente livro, O Mago (Planeta), uma biografia que disseca a vida do escritor atualmente mais lido no mundo. O encontro foi o primeiro do dia no Festival da Mantiqueira, evento literário que se encerra hoje em São Francisco Xavier, distrito de São José dos Campos.

 

"Creio que o que emerge do livro é um Paulo Coelho com uma dimensão humana que poucos, mesmo entre seus mais fiéis leitores, conheciam", disse o biógrafo que, em O Mago, relata a obstinação de Coelho em se transformar no escritor mais lido do mundo. Uma luta que envolveu pactos com o Diabo, tentações de cometer o suicídio (e incitar uma namorada a fazer o mesmo), uma carreira musical de sucesso, outra no teatro, e a redescoberta de uma nova espiritualidade.

 

"O primeiro título que pensei era O Sobrevivente, pois Paulo resistiu a tudo isso além de internações no hospício (promovidas pela família) e a prisões pelo Dops e pelo DOI-Codi", contou Morais. "Depois pensei em Em Carne Viva, mas, como esse já é um título do último livro do Paulo Francis, me decidi por O Mago."

 

Fernando Morais garantiu ter sido esse sua biografia mais difícil de escrever ("Engordei 10 quilos, minha barba ficou branca e me tornei hipertenso"). Por isso, aguarda ansioso a reação de Coelho, que deve ter recebido um exemplar ("O primeiro que saiu da gráfica, como eu tinha prometido a ele) hoje, na França, onde mora.

 

O biógrafo participou sozinho do debate Diálogos entre Literatura e História, pois seu companheiro de mesa, Jorge Caldeira, precisou deixar a cidade apressado ao receber notícia da morte da sogra.