Chega ao Brasil o Korean Wave, febre que se alastra no mundo online
Bandas se apresentam em São Paulo nesta terça-feira
Imagine que o Restart é apenas um entre dezenas de grupos coloridos que disputam a atenção dos adolescentes. Imagine que o Restart canta em coreano, japonês e inglês, e que, em vez de tocar pop emo, rebola sobre um batidão de hip-hop ou de um bate-estaca a la Lady Gaga. Imagine então, que o Restart tem versões masculinas, femininas, com formações que chegam a oito pessoas e fã-clubes em todos os cantos do mundo; que o Restart e seus clones de clones (não só o Replace, que de fato existe, mas também o Release, o Relax e o Rewind) reinam no YouTube e fazem turnês commegaeventos, o mais ambicioso deles, no Madison Square Garden.

Pois bem, a ideia representa mais ou menos o sucesso de exportação do teen pop sul-coreano, o K-Pop (também conhecido como Hallyu, ou Korean Wave), que tem dominado paradas, semeado vivíssimas bases de fãs e protagonizado uma estarrecedora assimilação antropofágica do pop americano.
Trata-se de um business altamente rentável, de produção prolífica, gerenciada por empresas como a SM Entertainment, que lotou a arena nova-iorquina este ano, com uma excursão dos nomes mais badalados do gênero, e a novata United Cube, que chega ao Brasil pela primeira vez nesta terça-feira, com três nomes do K-Pop para um show no Espaço das Américas.
Nomes surgem a cada 15 minutos de fama, com pencas de garotos e garotas, agenciados com punhos de aço por suas gravadoras, ostentando caras maquiadas, tiradas de um book de cortes de cabelo. Clipes feitos com orçamentos abastados são comuns. Reality shows que promovem as bandas no YouTube também. Na produção, o euro trance de Lady Gaga, o R&B de Beyoncé e Rihanna, as batidas de Dr. Luke. Formou-se uma linha de montagem pop que fabrica música de forma vertiginosa, à altura da velocidade de consumo da geração YouTube.
O foco, por sinal, é o próprio site, pois discos de Hallyu são menos importantes que os clipes. No Oriente, o fenômeno é tão poderoso que desbancou nomes japoneses do topo das paradas do país, figurando uma invasão histórica no segundo maior mercado musical do mundo, feita por nomes vindos de uma nação com a qual o Japão há séculos tem rixas culturais. O feito é do colorido girl group Girls Generation, que quebrou recordes de vendas na Coreia, em 2009, com o hit Gee e emplacou a primeira música coreana (em versão japonesa) feita por um girl group no topo da parada nipônica. No YouTube, o vídeo original atingiu 56 milhões de visitas, 10 milhões a mais do que Edge of Glory, de Lady Gaga.
São tantos grupos que até os nomes famosos são secundários ao próprio movimento. Um giro por clipes de alguns dos nomes mais interessantes (Girls Generation, do Gee; Knock Out, do GD⊤ e I Am the Best, do 2NE1) é um mergulho em um mar pop anabolizado, photoshopado, saturado e indiscutivelmente contemporâneo. O vaidoso compromisso com o espetáculo pop, encenado por moleques que sequer completaram a puberdade, estimula como poucos nichos da cultura mainstream. Embora tenham a mesma energia, os que vêm ao Brasil - G.NA, Beast e 4Minute - são menos conhecidos.
UNITED CUBE CONCERT
Espaço das Américas. Rua Tagipuru, 795, Barra Funda. 3ª, 19h (abertura dos portões, 17h30). R$ 200/R$ 350 - www.ingressorapido.com.br
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