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Cine PE começa com belo filme em sessão desastrosa

Organização tenta tranqüilizar diretores dizendo que problema de som não vai se repetir

27 de abril de 2012 | 15h 14
LUIZ CARLOS MERTEN - O Estado de S.Paulo

Cena do filme 'À Beira do Caminho' - Tatiana Ferro/Divulgação
Tatiana Ferro/Divulgação
Cena do filme 'À Beira do Caminho'

RECIFE - São 16 anos de Cine PE - Festival do Audiovisual e o evento do Recife lançou nesta sexta-feira, 27, um álbum comemorativo dos seus 15 primeiros anos, com belíssimas fotos. Também hoje à noite, começa a série de homenagens que o festival presta neste ano a destacadas figuras do cinema brasileiro. Ney Latorraca foi o primeiro, amanhã será a vez de Fernando Meirelles e, domingo, a de Cacá Diegues. Muita festa, portanto, mas o clima foi de desolação no fim da sessão de abertura, na quinta-feira. Houve uma falha do sistema digital, na leitura do arquivo de som de À Beira do Caminho e o esperado longa de Breno Silveira, que fazia sua pré-estreia mundial no Recife - a primeira grande exibição pública do filme -, virou um desastre, com diálogos inaudíveis.

Havia gente trocando de lugar e buscando poltronas vagas, em locais mais distantes, na tentativa de 'pescar' o que diziam os protagonistas do drama, mas não houve jeito. As próprias canções de Roberto Carlos que inspiraram o filme ressoavam mais no imaginário do espectador, que as conhece, do que na telas. Um deesastre que, compreensivelmente, deixou o diretor à beira de um ataque de nervos. "É um trabalho de quatro anos que está sendo perdido", ele dizia, desconsolado. A organização promete nova exibição, cuja data ainda não foi anunciada.

À Beira do Caminho merece.  Breno Silveira, o diretor de Dois Filhos de Francisco, também. Ambos os filmes se constroem sobre o tema da perda, que cala fundo no autor. E ambos lidam com canções. À Beira é sobre caminhoneiro que dá carona a um menino. Atravessam meio Brasil - a jornada começa em Petrolina - e há um antagonismo inicial. O garoto perdeu a mãe e quer ir ao encontro do pai, em São Paulo. O motorista, o grande João Miguel - de Xingu, entre outros filmes -, também perdeu a mulher e resiste a se ligar a esse filho sem pai. Existe todo um diálogo que vai revelando os personagens e costurando o drama. Ficou incompreensível. Não deu para ouvir nada na cena do decisivo encontro de João Miguel com o presumível pai de seu passageiro - interpretado por Ângelo Antônio.

O filme estréia em agosto e, quando isso ocorrer, Breno Silveira já terá pronto outro filme cuja rodagem terminou na quarta-feira - uma ficção sobre Luiz Gonzaga, o Gonzagão, sanfoneiro do Brasil, que tomou forma em seu imaginário quando ele teve acesso a gravações de Gonzaguinha. De novo as relações entre pais e filhos, a perda - numa das fitas, Gonzaguinha está indo para o enterro do pai -, as canções. Antes da projeção, o cineasta havia reafirmado seu credo - faz cinema para emocionar (e Dois Filhos de Francisco é a prova).

Em nota distribuída à imprensa, a organização buscava tranqüilizar os diretores cujos filmes ainda serão exibidos. Seria um desastre, se as más condições de som se repetissem nas demais sessões, mas a verdade é que a falha pode ter sido pontual, no sistema, já que ele operou normalmente na exibição dos curtas que precederam o longa de Breno Silveira. Foi uma boa sessão de curtas e os três da primeira noite foram bem interessantes na sua diversidade. O policial Depois da Queda, de Bruno Bini; a animação O Descarte, de Carlon Hardt e Lucas Fernandes; e o mais sutil e delicado do trio, Qual Queijo Você Quer?, de Cintia Domit Bittar, sobre a crise na relação de um casal de velhos. O último é intensamente dialogado - deu para entender tudo o que Henrique César e Amélia Bittencourt diziam. É um belo trabalho, e uma metáfora de vida, com o relógio que volta a funcionar.





Tópicos: CINE PE,

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