Clapton para ser visto
Livro almanaque traz fotos e outras imagens raras de um guitarrista que, na essência, sempre foi só
Eric Clapton não precisa mais de biografias desde que ele mesmo resolveu operar um autoexorcismo, indo aos infernos da alma e escrevendo suas memórias nada gentis consigo mesmo. Foi tamanha sua honestidade e impetuosidade que ninguém, desde 2007, se atreveu a escrever uma linha sequer de sua lucrativa história - algo que antes faziam aos montes. Clapton devastou-se ao lembrar, por exemplo, de como traiu o grande amigo George Harrison ficando com Patty Boyd, então mulher do ex-Beatle, na cozinha de sua casa.

Chris Welch, esperto, não cai na heresia de querer passar por cima da história sedimentada do guitarrista com uma nova biografia. Mas lança agora Clapton - A História Ilustrada Definitiva usando o artifício do livro almanaque para driblar responsabilidades biográficas. Seu texto é longe de ser brilhante e não há ali um grau de novidade que possa mudar o rumo de uma história já dissecada pelos tabloides ingleses e pelo próprio guitarrista. Mas o livro vale por aquilo que se vê - muitas vezes mais até por aquilo que se lê. As imagens são preciosas, trazem capas de discos, bilhetes de shows e reprodução de encartes que valem a aquisição.
Curioso que o próprio Clapton escreveu em sua biografia o quanto despreza os discos que fez de finais dos anos 70 até o fim dos 90. Pois está aí a fase mais contemplada. "O mundo todo esperou ansioso quando os superastros do rock se reuniram para fazer um disco, com os dedos cruzados e imbuídos de uma grande dose de fé cega", escreve o autor quando entra no assunto do grupo Blind Faith, que Clapton formou em 1969 com Steve Winwood, Ginger Baker e Rick Grech. A banda durou pouco e veio logo depois do Cream, o primeiro grande trio do rock and roll do qual Clapton saiu depois que resolveu parar de tocar enquanto Baker e Jack Bruce 'viajavam' em seus instrumentos. Se eles nem perceberam que o amigo não tocava, não fazia mais sentido estar ali no palco, ao lado deles. E só, Clapton virou deus.
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