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Compulsão sexual de David Duchovny é comparável ao alcoolismo

29 de agosto de 2008 | 21h 16
JILL SERJEANT - REUTERS

A vida imita a arte, ou talvez o

contrário. Um dos homens mais cobiçados de Hollywood, David

Duchovny, que interpreta um escritor louco por sexo na série de

TV "Californication", está se tratando contra uma compulsão

sexual.

Ele anunciou na quinta-feira que tomou essa decisão

voluntariamente, após anos negando ter um distúrbio que poucos

admitem possuir. Muitas vezes comparada ao alcoolismo ou ao

vício em jogo, a compulsão sexual leva cada vez mais pessoas

aos consultórios, mas não chega a ser reconhecida como um

"distúrbio diagnosticável" pela Associação Psiquiátrica

Americana.

"O conceito de dependência sexual é polêmico, e por isso é

difícil defini-lo", disse Steve Eichel, especialista em

dependências que atua em Delaware. "Muitos criticam esse

conceito porque vivemos numa sociedade que tende a medicalizar

as coisas em excesso e transforma todo comportamento que se

desvia da norma em dependência ou distúrbio".

Mas especialistas em distúrbios sexuais estimam que cerca

entre 3 e 5 por cento dos norte-americanos -- inclusive

mulheres -- tenham essa compulsão.

Segundo a Clínica Mayo, os sintomas podem incluir uma

grande promiscuidade sexual, passar horas vendo pornografia e

usar o sexo como válvula de escape para problemas como

depressão ou estresse. Normalmente esse comportamento é cercado

por segredo e vergonha, e o paciente tem dificuldades no

envolvimento emocional.

"A Internet forneceu um nível de acesso [à pornografia]

antes indisponível. Muita gente tem esse problema, e a Internet

induziu a isso", disse Rob Weiss, diretor-executivo do

Instituto de Recuperação Sexual, de Los Angeles.

Duchovny, ironicamente, busca tratamento após receber um

Globo de Ouro neste ano por seu papel como Hank Moody, um pai

solteiro e mulherengo na série "Californication", cuja segunda

temporada estréia em 29 de setembro nos EUA.

"Não há dúvida de que o personagem interpretado por

Duchovny é sexualmente compulsivo. Isso destruiu seu casamento,

e o programa mostra algumas das ramificações do comportamento

sexual do personagem sobre sua filha, o que é bastante

realista", disse Eichel, que é fã da série.

Não é a primeira vez que a vida sexual de Duchovny vira

notícia. Antes de se casar com a atriz Lea Toni, em 1997, ele

teve vários relacionamentos seguidos, e em meados de 1990 veio

a público negar rumores de que estaria freqüentando reuniões

para se controlar.

"Não sou viciado em sexo", disse Duchovny à revista

Playgirl em 1997. "Nunca fui a essas reuniões. É doloroso para

a minha família, e se eu estivesse envolvido com uma mulher

numa relação monogâmica seria doloroso para ela".

O tratamento para essa compulsão costuma incluir

psicoterapia, reuniões semelhantes às dos Alcoólicos Anônimos e

às vezes medicamentos como antidepressivos, que têm como efeito

colateral uma redução da libido.

Recaídas são comuns, já que não é razoável esperar que o

paciente se abstenha do sexo como um alcoólatra evita as

bebidas.

O distúrbio já havia sido muito comentado no começo da

década de 1990, quando o ator Michael Douglas teria se

submetido a tratamento. O astro de "Atração Fatal" disse que na

verdade foi procurar ajuda porque estava bebendo demais.



Tópicos: GENTE, DUCHOVNYSEXO