DiCaprio vive lendário diretor do FBI em novo filme de Eastwood
Ator se ofereceu para interpretar personagem em 'J. Edgar'
J. Edgar Hoover foi um personagem controverso na história dos Estados Unidos. Construindo e presidindo o FBI durante 40 anos, até fazer do "Bureau" a potência que é hoje, Hoover (1895-1972) tornou-se um dos homens mais poderosos do país ao longo de décadas. Anticomunista de carteirinha, não tinha escrúpulos em acumular provas contra adversários e usá-las na hora adequada. Se não havia fatos, ele os forjava. Detestado pelos Kennedys, tentou intimidar até mesmo o reverendo Martin Luther King. Nixon não podia vê-lo pela frente. Mas, em especial durante a Guerra Fria, fez boa parte da opinião pública americana comprar a ideia de que o preço da liberdade era não apenas a eterna vigilância, mas também o combate sem trégua contra o inimigo interno. Esse é justamente o difícil personagem retratado por Clint Eastwood em J. Edgar, seu novo filme.
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Quem encarna o personagem, sob maquiagem pesada, é Leonardo DiCaprio, ator que, aos 37 anos, já provou ser mais que um rosto bonito. Leo gosta de experiências de risco e de personagens difíceis, como quando viveu o excêntrico milionário Howard Hughes em O Aviador, de Scorsese.
De certa, forma, colocar-se na pele de Hughes funcionou para DiCaprio como laboratório para viver Hoover. São imersões no que o ser humano poderoso pode ter de estranho. Ele próprio se ofereceu, quando soube que Clint estava pensando em retratar na tela a vida do chefão do FBI. O diretor não hesitou em aceitá-lo para o papel. Acertou em cheio. O DiCaprio que se vê no cinema parece talhado para interpretar um tipo sombrio, complicado, cheio de nuances.
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Como saiu esse retrato de Hoover pintado por Clint e encarnado por DiCaprio? Como o de alguém traumatizado pelos atentados de Washington, de 1919, fascinado pela mãe (em grande atuação de Judi Dench) e incapaz de assumir a homossexualidade. Alguém com mania de pesquisa e catalogação, que começa por instituir um eficiente sistema para localizar livros em uma biblioteca e termina por montar um arquivo de pessoas abrangendo toda a nação. Isso num tempo em que o computador era apenas uma fantasia da ficção científica.
Essa obsessão por controle parece um dos pontos-chave para compreender o personagem proposto por Clint. Se a sua vida pessoal e amorosa é um caos, Hoover tenta impor ao país uma ordem absoluta, sem espaço para dissidências ou surpresas. Claro, a segurança total não passa de um delírio no qual as pessoas acreditam. Hábil manipulador do medo, Hoover manteve-se no poder até a morte. Dirigiu o FBI entre 1924 a 1972. Mas não foi feliz. É, pelo menos, o que sustenta o notável filme de Clint Eastwood.
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