Documentário promove jornada sensorial pela obra de Tom Jobim
Obra do artista é dissecada por imagens de arquivos, fruto de extensa pesquisa
19 de janeiro de 2012 | 11h 43
REUTERS

Divulgação
Filme conjuga sons e imagens de forma não-cronológica
Neste filme bastante peculiar, a obra do artista é dissecada por imagens de arquivos - fruto de uma extensa pesquisa da dupla e de Antônio Venâncio, não apenas no acervo do Instituto Tom Jobim, mas nas mais diversas fontes como canais de televisão estrangeiros e até na Internet.
Num filme como esse, a edição é bastante importante. Conta muito a forma como os diretores articulam a sequência de números musicais de intérpretes os mais variados - numa lista que inclui desde Gal Costa e Elizeth Cardoso, passando por Diana Krall cantando em português, o francês Jean Sablon, os norte-americanos Ella Fitzgerald, Sammy Davis Jr. e Frank Sinatra. Por meio da montagem, Nelson e Dora constroem um diálogo de tempo e espaço tendo como unidade a obra compositor.
Não há explicações, conjeturas ou falatório. É música, música, música. Para o leigo - aquele que aprecia Tom Jobim sem conhecimento profundo de causa -, o longa é prazer para os ouvidos, com direito a muitas descobertas - como a tocante interpretação de Judy Garland para How Insensitive (versão em inglês de Insensatez), que Dora achou no Youtube.
Para os fãs do músico, talvez o filme não traga muitas novidades, mas o prazer reside exatamente na conjugação de sons e imagens, que contam de forma não-cronológica, mas temática, a história de Tom Jobim como músico.
Uma escolha curiosa da dupla de diretores é não creditar o nome dos intérpretes ao longo do filme, quando aparecem cantando. Funciona bem - até como uma brincadeira de se descobrir quem é quem e também no sentido de não poluir a imagem ou distrair a atenção. Ao final do longa, uma lista com imagens dá conta desses créditos.
Nelson Pereira dos Santos que em seu currículo inclui dramas (Vidas Secas, Brasília 18%) e documentários (Raízes do Brasil) alia a sua longa experiência, inclusive como diretor de ficção, à sensibilidade de Dora, que chegou a conviver com o avô, morto em 1994.
Com sua sensibilidade aguçada, A música segundo Tom Jobim é uma viagem sensorial por um universo musical bastante rico. É também uma jornada por nossa cultura e a visão desta pelo mundo afora. "Garota de Ipanema" é uma das músicas mais cantadas no mundo - e no documentário não é diferente, trazendo diversas versões dela, na interpretação de músicos como Errol Garner, Pat Hervey, Marcia e Lio - fora a versão original.
Tom Jobim levou sua música para os quatro cantos do mundo. O mais interessante é que sua obra, por mais bem-aceita que tenha sido, nunca foi feita pensada na exportação. Seu sucesso fora do Brasil é pura e muito justa conseqüência. (Por Alysson Oliveira, do Cineweb)
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