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DVD de 'Breaking Bad' fura a fila e sai antes da televisão

Caixa com todos os episódios é lançada na terça-feira, 16 dias antes da exibição do episódio final no País

06 de dezembro de 2013 | 20h 09
Clarice Cardoso - O Estado de S. Paulo

Durante os cinco anos em que comandou a elogiada Breaking Bad, Vince Gilligan não queria deixar ao acaso o desempenho da série. Em um processo quase obsessivo, controlava cada etapa da produção. Dos desdobramentos do roteiro aos diálogos, à tonalidade de roxo num cenário, aos efeitos sonoros na pós-produção, Vince tinha dedos em todos os lugares. O jeito centralizador imprimiu sua marca na obra, que se tornou recordista do Guiness como o título televisivo mais bem avaliado de todos os tempos (atingiu 99 pontos de um total de cem no MetaCritic).

Walter White - Divulgação
Divulgação
Walter White

Os episódios finais da quinta temporada da série, exibidos na metade deste ano nos EUA, estão atualmente no ar no País pelo AXN. No canal pago, o fim de Walter White (Bryan Cranston) e seu império da droga deve ser exibido no dia 27 de dezembro. Graças a um desses momentos que o Natal propicia, esses capítulos decisivos já estarão disponíveis em DVD na próxima terça. Dezesseis dias antes da televisão, portanto.

Para aproveitar o entusiasmo dos fãs, o feriado e o grande potencial de vendas que ele oferece, Thiago Libanore, gerente de marketing de séries de TV da Fox-Sony, apressou o lançamento – o que não deixa de ser uma forma de corrigir o atraso na disponibilização de temporadas anteriores. A iniciativa cria uma rara ocasião em que a janela entre a TV e as lojas foi praticamente anulada. “É um movimento ousado”, diz.

Em Breaking Bad, um pacato professor de química do colegial (Cranston) transforma-se em um novo Scarface. Fracassado e infeliz, Walter White descobre, já no primeiro episódio, que tem câncer terminal. Para conseguir prover sustento à família após sua morte, junta-se desastrada e desesperadamente a um ex-aluno, Jesse (Aaron Paul), para fabricar metanfetaminas e ganhar algum dinheiro.

O talento para a química o transformará, ao longo dos episódios, em um dos melhores cozinheiros da droga já vistos. Ergue seu reinado. Logo, a história transforma-se em uma saga sobre o poder, a ganância, e sua capacidade de degenerar seres humanos. É assombroso como Walt, sob o pseudônimo de Heisenberg, mergulha em sua sombra. É capaz de ações repulsivas, questionáveis. Protagoniza cenas que teriam tudo para causar antipatia no público, mas que acabam aproximando-o mais desse anti-herói.

Uma série com o cuidado visual que Breaking Bad demonstra clama por um lançamento em Blu-Ray. Mas, como não há no mundo versões no formato com legendas em português, estas teriam que ser criadas no País, o que inflaria os preços, justifica Libanore. Assim, o box completo nesse formato ficará, quiçá, para o ano que vem. Quanto ao cobiçado barril vendido nos EUA (em referência ao local onde o personagem guarda sua fortuna), não há previsões. “Não faria sentido lançar um produto que custaria mais de R$ 1 mil num País como o Brasil. E esse é o preço a que chegaria”, afirma.

Mesmo com o adiantamento do lançamento, o que se vê é um produto bem finalizado e com dezenas de horas de materiais extras. Só na temporada final são nove horas. Lá estão bastidores de cenas icônicas da produção, a íntegra dos depoimentos de Walt e Jesse, o bom humor de Dean Norris no set, o trabalho da equipe de efeitos especiais e erros de gravação, entre outros.

É onde se pode ver um vídeo com os depoimentos da equipe descrevendo a onipresença de Vince em tudo que seja Breaking Bad. Seu perfeccionismo é tamanho que, em uma cena após um tiroteio, por exemplo, ele tomou para si uma furadeira para deixar as marcas de bala na parede do cenário a seu gosto.

Sem medo do riso. Outro destaque dos conteúdos adicionais é um suposto final alternativo que a série ganhou. Não é algo que a rigor funcionaria, antes, um agrado para fãs de Cranston. Nele, o ator reassume o papel de Hal, o pai de família esquisitão de Malcom in the Middle. Acorda no meio da noite na cama com Jane Kaczmarek (Lois), que atuou com ele naquela comédia. Tudo o que se viu em Breaking Bad não passou de um pesadelo. Cranston diz que a ideia foi sua – a bem da verdade, a piada já havia sido feita por internautas. Ainda assim, é um curioso exercício de bom humor num universo tão sombrio. E as referências a cenas e diálogos de Heisenberg interpretadas no estilo de Hal são uma grata surpresa para quem acompanhou as duas produções.




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