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Editora Cosac Naify comemora dez anos

Saem dela algumas das mais belas edições do mercado brasileiro

31 de agosto de 2007 | 19h 04
Antonio Gonçalves Filho, do Estadão

Há dez anos, quando publicou seu primeiro livro, Barroco de Lírios, dedicado ao artista pernambucano Tunga, a editora Cosac Naify não representava no Brasil o papel que a Thames and Hudson desempenha no exterior, mas batalhava por propósito semelhante, o de criar um museu sem paredes, que colocasse à disposição do leitor brasileiro uma seleta bibliografia com títulos de arte, arquitetura, moda e design. Hoje, com um catálogo de 600 títulos que contemplam outras áreas, a Cosac Naify não é apenas identificada como uma editora de livros de arte, mas, antes de tudo, artísticos. Saem dela algumas das mais belas edições do mercado brasileiro e isso é tão verdadeiro que a editora ganhou 17 indicações para o cobiçado prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro. Vai receber 10 deles no dia 31 de outubro.

 

Best sellers ainda são poucos, como um livro dedicado aos Beatles, mas títulos importantes é o que não faltam, entre eles o catálogo completo das gravuras do pintor gaúcho Iberê Camargo e os quatro volumes da edição integral de Mitológicas, do antropólogo Claude Lévi-Strauss. Boa literatura também não falta no catálogo. Desde que lançou, em 1999, a coleção Prosa do Mundo, que reúne obras-primas da literatura ocidental em novas traduções, a Cosac Naify ampliou o leque e completa dez anos de existência com mais novidades na área. Ela acaba de lançar Nadja, do surrealista André Breton, e coloca brevemente nas livrarias uma caixa com três títulos autobiográficos de Gorki (Infância, Ganhando o Meu Pão e Minhas Universidades). Ainda este ano saem Sete Narrativas Góticas, de Karen Blixen, e O Amante, de Marguerite Duras.

 

Por fidelidade à proposta inicial, a Cosac Naify continua apostando no segmento das artes visuais. Até o fim do ano saem três títulos fundamentais: Piero della Francesca, clássico de Roberto Longhi dedicado ao maior representante do Quattrocento italiano, um livro sobre o neoconcretismo brasileiro escrito pelo poeta e crítico Ferreira Gullar, e, finalmente, um denso volume que analisa o acervo da Pinacoteca do Estado. Ainda no segmento destaca-se a mais ambiciosa produção do ano: uma luxuosa caixa com vários livros dedicados à obra de Tunga, que não será vendida, mas presenteada pela editora às bibliotecas do Brasil. A iniciativa da caixa partiu do fundador da editora, Charles Cosac, e seu sócio, o empresário norte-americano Michael Naify, que nunca fizeram as contas na hora de lançar livros fora dos padrões convencionais.

 

 

O diretor editorial da Cosac Naify, Augusto Massi, anuncia ainda outra investida corajosa para comemorar os dez anos, a coleção Estilistas Brasileiros com cinco volumes dedicados a grandes nomes da moda: Alexandre Herchcovitch, Glória Coelho, Lino Villaventura, Ronaldo Fraga e Walter Rodrigues. E, na área de arquitetura, acaba de lançar o segundo volume dedicado ao arquiteto capixaba Paulo Mendes da Rocha.

 

Detalhe: os dois serão lançados na Europa pela conceituada editora Rizzoli. "É o início da internacionalização da editora", comemora Massi, lembrando que o livro de Glauber Rocha, Revolução do Cinema Novo, já foi lançado na França.

 

Com uma média de 80 lançamentos por ano, a Cosac Naify ingressou em sua nova fase há seis anos,  quando Massi assumiu a direção, ampliando o leque editorial. Ele é ajudado na tarefa por um grupo de editores e coordenadores de edições de alto nível, como o professor de literatura Davi Arrigucci Jr., colaborador do jornal O Estado de S. Paulo, e o professor de cinema Ismail Xavier.

 

Da solitária ação inicial de seu fundador às parcerias que a editora fez para concretizar ousados projetos (com a Pinacoteca e a Mostra de Cinema) foi um percurso longo, que hoje permite à Cosac Naify produzir edições experimentais como a de Bartleby, o Escrivão, de Hermann Melville, que vem costurado e pede para não ser aberto, ou A Fera na Selva, de Henry James, cujas páginas mudam de cor à medida que o livro avança. Massi justifica a ousadia: "É preciso forçar os limites do livro", diz "O texto literário está profundamente acomodado."