Em show de Britney, público é quem faz o verdadeiro espetáculo
Com clima de boate gay, cantora americana faz show insosso para plateia ensandecida
SÃO PAULO - Músicas cantadas no gogó, coreografias incríveis e emoção verdadeira. Tudo isso estava no palco da turnê Femme Fatale que Britney Spears apresentou nesta sexta-feira, 18, em São Paulo? Não. Foi o público o responsável por todas essas proezas. Da cantora, o que se viu foi o contrário: pouco talento, nenhuma alma e resquícios daquilo que poucos conseguem definir: carisma.
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Já na abertura do show - que começou pontualmente às 22h na Arena Anhembi -, a Princesinha do Pop demonstra o que não é capaz de entregar como artista. A canção Hold it Against Me, primeiro sucesso do álbum mais recente, Femme Fatale (2011), estava na boca de milhares, menos na dela. A cantora coloca em perigo seu título ao dublar essa e ao menos outras 17 músicas do espetáculo. Apenas em Don’t Let Me Be the Last to Know e nas suas breves e mecânicas saudações ao público ouve-se a voz da cantora.
Ela poupou as cordas vocais para dançar? Não. Afinal, o que ela faz no palco pode ser definido de forma mais precisa como gesticular. A falta de vontade de Britney se mexer nem é disfarçada, dado o número de performances em que ela se resume a sentar-se e fazer maneios, como em How I Roll. Por outro lado, fica constrangedor quando a cantora insinua uma coreografia como em 3, que consiste em um amador abrir e fechar de jalecos brancos. Aspirantes do programa Qual É o Seu Talento? do SBT fariam melhor.
Visualmente o show também não impressiona. Britney tem dificuldade de instigar a imaginação da plateia. A tradução de suas canções em figurinos e cenários é literal, pouco imaginativa. Para falar de um homem belo demais em (Drop Dead) Beautiful Britney usa o óbvio: molduras nas mãos dos bailarinos e corpos masculinos perfeitos no telão. Em I’m a Slave for You, repete a fórmula insossa mostrando, adivinhe, imagens fetichistas e sadomasoquistas. E ainda há os interlúdios que separam os blocos das canções. O palco se apaga e são mostradas falas – em inglês - do personagem que persegue a cantora dentro do conceito do show. Em qualquer outro espetáculo, esse erro desceria o nível de animação a zero. Mas não foi isso o que aconteceu.
No chão, o público e a animação de boate gay imperaram. O mínimo no palco, como um levantar de pernas de Britney gerava histeria. Gritos só eram interrompidos pelas letras na ponta da língua de significativa parte do público. Tudo isso para o que Britney representa para um geração de homossexuais. Para muitos, era a primeira vez, em 13 anos de carreira da cantora, que eles colocavam os olhos de perto na sua grande ídola.
Hipsters, mauricinhos, blogueiros, VJs, nerds, malhados, a nova classe C, quarentões e pré-adolescentes. Essa diversidade de categorias sociais, econômicas e etárias representava toda a pluralidade do universo gay presente no público, o qual pagou para ver um espetáculo, mas acabou fazendo.
Setlist:
Hold it Against MeUp & Down
3
Piece of Me
Big Fat bass
Holl I Roll
Lace & Leather
If U Seek Amy
Gimmer More
(Drop Dead Beautiful)
Don't Let Me Be the Last to Know
Boys
Baby One More Time/S&M
Trouble for Me
I'm Slave for You
I Wanna Go
Womanizer
Toxic
Til the World Ends
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