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Escassez de modelos negras faz Naomi Campbell continuar ativa

14 de julho de 2008 | 14h 46
RANDY FABI - REUTERS

A supermodelo britânica Naomi Campbell se

recusa a se afastar das passarelas, após mais de duas décadas,

porque ainda há muito poucas beldades negras na indústria da

moda.

Enquanto muitas de suas colegas do final dos anos 1980,

como Cindy Crawford e Christy Turlington, já se aposentaram dos

desfiles, a modelo de 38 anos continua a chamar a atenção nos

maiores desfiles de moda do mundo.

"Sou muito grata por minha carreira, mas me preocupo com as

garotas que vieram depois de mim, com as oportunidades que têm

e o tratamento que recebem. E essa é uma das razões pelas quais

ainda faço o que faço", disse ela à Reuters em entrevista na

Nigéria, no fim de semana.

Ainda adolescente, Campbell foi a primeira modelo negra a

sair nas capas das edições francesa e britânica da Vogue. Ela

diz que muitos estilistas ainda dão preferência às modelos de

cor clara, preterindo suas colegas negras.

Usando top branco simples e jeans, a beldade britânica

comentou: "Ainda conto quantas meninas de cor aparecem nos

desfiles. No ano passado foi pior em Nova York."

"Nos desfiles de alta-costura de Paris só uma menina negra

participou dos desfiles. Isso não pode ser mera tendência."

Para destacar o problema, a Vogue italiana decidiu usar

principalmente modelos negras em sua edição de julho.

Naomi Campbell foi a Abuja e à capital comercial da

Nigéria, Lagos, no fim de semana, para participar do lançamento

de uma série de shows de verão e desfiles de moda. Foi sua

primeira visita ao país.

Patrocinado pelo jornal nigeriano This Day, o festival fará

escalas em Washington, em agosto, e Londres, em outubro, e tem

por objetivo destacar o que há de melhor na música e moda

africanas.

Recentemente, a carreira de Naomi Campbell vem ganhando

menos destaque que seus problemas com a lei. No mês passado,

ela se confessou culpada de agressão em um incidente no

aeroporto de Londres e foi sentenciada a cumprir 200 horas de

serviço comunitário.

No ano passado, depois de atirar um celular em sua

empregada durante uma discussão em torno de um jeans, ela

passou cinco dias fazendo faxina em banheiros como parte de uma

sentença de serviços comunitários em Nova York.

Ela alegou que o incidente no aeroporto de Londres foi

motivado em parte pelo fato de alguém a ter chamado de

"Golliwog", termo pejorativo referente a bonecas negras.

Indagada sobre sua experiência pessoal com o racismo,

Campbell respondeu apenas "eu sou uma lutadora".



Tópicos: MODA, NAOMI, CAMPBELL