Escassez de modelos negras faz Naomi Campbell continuar ativa
A supermodelo britânica Naomi Campbell se
recusa a se afastar das passarelas, após mais de duas décadas,
porque ainda há muito poucas beldades negras na indústria da
moda.
Enquanto muitas de suas colegas do final dos anos 1980,
como Cindy Crawford e Christy Turlington, já se aposentaram dos
desfiles, a modelo de 38 anos continua a chamar a atenção nos
maiores desfiles de moda do mundo.
"Sou muito grata por minha carreira, mas me preocupo com as
garotas que vieram depois de mim, com as oportunidades que têm
e o tratamento que recebem. E essa é uma das razões pelas quais
ainda faço o que faço", disse ela à Reuters em entrevista na
Nigéria, no fim de semana.
Ainda adolescente, Campbell foi a primeira modelo negra a
sair nas capas das edições francesa e britânica da Vogue. Ela
diz que muitos estilistas ainda dão preferência às modelos de
cor clara, preterindo suas colegas negras.
Usando top branco simples e jeans, a beldade britânica
comentou: "Ainda conto quantas meninas de cor aparecem nos
desfiles. No ano passado foi pior em Nova York."
"Nos desfiles de alta-costura de Paris só uma menina negra
participou dos desfiles. Isso não pode ser mera tendência."
Para destacar o problema, a Vogue italiana decidiu usar
principalmente modelos negras em sua edição de julho.
Naomi Campbell foi a Abuja e à capital comercial da
Nigéria, Lagos, no fim de semana, para participar do lançamento
de uma série de shows de verão e desfiles de moda. Foi sua
primeira visita ao país.
Patrocinado pelo jornal nigeriano This Day, o festival fará
escalas em Washington, em agosto, e Londres, em outubro, e tem
por objetivo destacar o que há de melhor na música e moda
africanas.
Recentemente, a carreira de Naomi Campbell vem ganhando
menos destaque que seus problemas com a lei. No mês passado,
ela se confessou culpada de agressão em um incidente no
aeroporto de Londres e foi sentenciada a cumprir 200 horas de
serviço comunitário.
No ano passado, depois de atirar um celular em sua
empregada durante uma discussão em torno de um jeans, ela
passou cinco dias fazendo faxina em banheiros como parte de uma
sentença de serviços comunitários em Nova York.
Ela alegou que o incidente no aeroporto de Londres foi
motivado em parte pelo fato de alguém a ter chamado de
"Golliwog", termo pejorativo referente a bonecas negras.
Indagada sobre sua experiência pessoal com o racismo,
Campbell respondeu apenas "eu sou uma lutadora".
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