Escritora Margaret Atwood ganha prêmio Príncipe de Astúrias
Canadense foi premiada por 'esplêndida obra literária', que explora diferentes gêneros 'com intensidade e ironia'
A escritora canadense Margaret Atwood ganhou nesta quarta-feira, 25, o Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras 2008 por sua "esplêndida obra literária", que explora diferentes gêneros "com intensidade e ironia", sem esquecer a denúncia das injustiças sociais.
Atwood, que nasceu em Ottawa em 1939, se tornou a primeira mulher agraciada este ano pelos Prêmios Príncipe de Astúrias, que oferecem 50 mil euros (US$ 77,6).
A romancista, poeta e ensaísta é autora de mais de 20 obras de ficção, entre elas O Conto da Aia - uma crítica feroz à sociedade totalitária -, O Assassino Cego, Olho de Gato e Surfacing, incluída pelo crítico Harold Bloom em seu livro sobre as melhores obras que formam o cânone ocidental.
Intimista, irônica, defensora dos direitos humanos e da mulher, Atwood colabora com a Anistia Internacional, com quem defende os direitos territoriais dos índios mohawks, e seu nome foi citado para o Prêmio Nobel de Literatura.
O júri destaca em sua decisão sua "esplêndida obra literária" com a abordagem de diferentes gêneros "com intensidade e ironia", e na qual "assume inteligentemente a tradição clássica, defende a dignidade das mulheres e denuncia situações de injustiça".
O diretor da Real Academia Espanhola, Víctor García de la Concha, expressou sua satisfação "sem reservas" pela concessão do prêmio à Atwood, a quem definiu como "uma romancista de valor universalmente reconhecido".
De la Concha, presidente do júri, admitiu, no entanto, que tanto ele quanto os outros membros da banca prefeririam conceder o prêmio a um escritor de língua espanhola já que, após sua internacionalização dez anos atrás, não é dado a nenhum autor deste idioma desde a premiação do guatemalteco Augusto Monterroso, em 2000.
Segundo De la Concha, apesar de a eleição do júri ter sido "muito apertada", a votação final, na qual Atwood concorria com o espanhol Juan Goytisolo, foi "muito folgada" a favor da autora canadense, após a eliminação das candidaturas do britânico Ian McEwan e do albanês Ismail Kadaré.
A obra de Atwood se destaca por sua ironia, humor e magnetismo para o leitor, em palavras de sua editora na Espanha, Ana María Moix, e da tradutora de sua poesia, Pilar Somacarrera.
Segundo as duas, Atwood é muito conhecida como narradora e ensaísta, "mas é ainda muito melhor poetisa".
Atwood recebeu o Booker Prize em 2000 e escreveu mais de 20 obras de ficção. A escritora é fã incondicional de escritores franceses do século XIX como Flaubert, Zola e Maupassant, dos clássicos russos e de Cervantes.
O escritor espanhol foi a fonte de Atwood para dissecar as relações humanas, como diria um entomologista, profissão que seu pai exerceu na Universidade de Toronto, mas sempre aplicando sua ironia, humor e grandes doses de mistério e psicologia.
Aos 19 anos, a autora começou a escrever seus primeiros poemas, já impregnados de citações mitológicas, e que depois se deslocariam para o interesse pelo mistério, as referências culturais, literárias e pictóricas.
A escritora canadense costuma dizer que quando escreve um romance "é como se construísse uma casa" e quando faz poesia se sente "como um pássaro que canta".
"A poesia é escrita com a mão esquerda e corresponde a uma região do cérebro que é responsável pela música e pelas áreas mais criativas", acrescenta.
Atwood escreve em inglês e francês, e alguns de seus romances foram adaptados para o cinema e o teatro, como A Mulher Comestível, O Conto da Aia - que também se tornou ópera -, Vulgo, Grace e O Assassino Cego.
Traduzida para mais de 30 idiomas, como persa, japonês, turco, finlandês, coreano, islandês e estoniano, Atwood publicou seu último livro de poesia, The Door, em 2007, e uma coleção de relatos, The Tent, em 2006.
O Prêmio Príncipe de Astúrias das Letras já foi concedido a autores como Nélida Piñon, Juan Rulfo, Mario Vargas Llosa, Camilo José Cela, Carlos Fuentes, Günter Grass, Augusto Monterroso, Doris Lessing, Arthur Miller, Paul Auster e Amos Oz, que o recebeu em 2007.
A Fundação Príncipe de Astúrias, que concede os prêmios, anunciará em setembro os vencedores nas categorias de Concórdia e Esportes.
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