Estudo alemão identifica flauta de 35 mil anos
Escavada em osso de abutre, instrumento foi encontrado ao lado de outros fragmentos.

Arqueólogos da Universidade de Tübingen, na Alemanha, descobriram restos de flautas de mais de 35 mil anos â os mais antigos instrumentos musicais já encontrados no mundo.
As descobertas e os detalhes das três flautas encontradas na caverna de Hohle Fels, no sudoeste alemão, foram publicados na mais recente edição da revista científica Nature.
Segundo os pesquisadores, os instrumentos eram usados nos nos primórdios da colonização da Europa, há cerca de 35 mil anos e a música era uma prática generalizada na época pré-histórica.
Entre os instrumentos musicais, a flauta mais bem preservada foi escavada em um osso de 20 centímetros de comprimento, da asa de um abutre, e tem cinco buracos para serem tapados com os dedos e duas aberturas em "v", que teriam sido usados para assoprar.
Os arqueólogos também encontraram pedaços de outras duas flautas de marfim, que os cientistas acreditam ser de mamutes.
A caverna de Hohle Fels é um conhecido sítio arqueológico, com vários objetos dos primeiros seres humanos. Em maio, integrantes da mesma equipe anunciaram ter encontrado lá o que pode ser a mais antiga figura de Vênus do mundo.
Criatividade
As descobertas elevam o número de flautas datadas desta época da pré-história para oito, quatro delas produzidas a partir de marfim de mamute e outras quatro a partir de ossos de pássaros.
O coordenador da equipe da universidade alemã, o professor Nicholas Conard, afirma que fazer música era uma atividade comum entre os humanos que viveram cerca de 40 mil anos atrás.
"Está ficando cada vez mais claro que a música fazia parte do dia-a-dia", disse Conard.
"A música era usada em vários contextos sociais: possivelmente religioso, possivelmente recreativo, mais ou menos como usamos a música hoje, em várias situações."
O estudioso diz ainda que além de uma tradição musical, os humanos modernos que povoaram a região do sudoeste alemão na pré-história também produziram diversos artefatos simbólicos, e figuras artísticas e representações de seres mitológicos, além de enfeites pessoais.
Para os cientistas, o surgimento de arte e cultura tão no início da história do ser humano moderno pode ajudar a explicar porque a espécie sobreviveu, enquanto o homem de Neanderthal, contemporâneo dela, foi extinto.
"A música pode ter contribuído para a formação de redes sociais mais amplas, e assim, talvez tenha facilitado a expansão territorial dos humanos modernos, em detrimento dos neandertais, mais conservadores culturamente e mais isolados demograficamente", diz o estudo.
"Essas flautas fornecem ainda mais provas da sofisticação dos povos que viveram naquela época e do provável abismo comportamental e cognitivo entre eles e os neandertais."
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