Fernando Botero retrata situação colombiana em exposição no Mube
Em 'Dores da Colômbia', artista plástico volta seus olhos ao terror que se passa em seu país
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As conhecidas figuras rechonchudas do pintor e escultor colombiano Fernando Botero ganham ares de tensão e sofrimento em Dores da Colômbia, exposição que abre ao público nesta sexta-feira, 25, no Mube (Museu Brasileiro da Escultura). Pela segunda vez na cidade, a mostra, que atraiu 25 mil pessoas ao Memorial da América Latina em 2007, apresenta uma outra faceta do trabalho do artista. Com um cunho político, 36 desenhos, 25 pinturas e seis aquarelas colocam em evidência a violência causada pelos conflitos naquele país, envolvendo guerrilheiros, políticos e paramilitares.
O conjunto de obras foi doado por Botero ao Museu Nacional da Colômbia entre 2004 e 2005. No entanto, a produção de tais peças começou bem antes, nos anos 90. Longe de sua terra natal há 40 anos, Botero, de 79, que hoje mora na França, tenta aproximar o observador dos horrores recentes enfrentados por seu país, nação marcada pela atuação das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), grupo considerado terrorista. E vai além, propondo uma reflexão sobre a condição humana em geral.
As obras mostram momentos repletos de violência. Os personagens surgem amarrados, sangrando, chorando ou sendo atacados. Em Masacre en Colombia, por exemplo, um grupo de pessoas aparece preso por cordas em cima de uma poça de sangue. Ao fundo, uma vila está sendo devastada. Há ainda uma série de imagens que remetem ao luto, como uma pintura que retrata um cortejo de inúmeros caixões.
Não foi a última vez que o artista voltou seus olhos para aspectos bárbaros da sociedade contemporânea. Em 2005, Botero deu início a uma série de pinturas que retratam as torturas cometidas por soldados americanos contra prisioneiros em Abu Ghraib, prisão iraquiana, escândalo que tomou conta das capas de jornais em 2004.
Ainda assim, apesar do tema violento, Botero mantém em Dores da Colômbia suas pinceladas coloridas e seu estilo figurativo. Denise Carvalho, curadora brasileira do evento – que, após São Paulo, segue para Porto Alegre e Belo Horizonte – ressalta os diferenciais dessa mostra.
“Botero já doou muitas obras para a Colômbia, mas essas são as únicas que têm itinerância”, explica. “É uma exposição em que é possível reconhecer os rechonchudos de Botero, mas eles não estão alegres. São imagens de pessoas torturadas, aflitas, sofridas. Existe uma intenção de denúncia, mas sem um sentido panfletário”, conclui.
Um dos artistas mais prestigiados da América Latina, Botero tem peças em importantes museus. Entre seus trabalhos mais populares, estão as simpáticas releituras (gordinhas) de Mona Lisa, de Leonardo da Vinci, e O Casal Arnolfini, de Jan van Eyck.
Dores na Colômbia. Mube (Museu Brasileiro da Escultura).Avenida Europa, 218. tel: 2594-2601. Abertura para o público hoje. Até 8 de janeiro de 2012. De terça a domingo, das 10h às 19h. Grátis. Livre.
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