Filme sobre Ayrton Senna estreia nos cinemas da Inglaterra na sexta-feira
Documentário sobre campeão brasileiro da Fórmula 1 chega às telas britânicas sob boas críticas
O documentário sobre o tricampeão mundial de Fórmula 1 Ayrton Senna chega aos cinemas britânicos nesta sexta-feira, 03. O filme combina a excitação das corridas em alta velocidade com um retrato comovente do homem por trás do volante, usando imagens nunca antes vistas de Senna nas pistas e fora delas.
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Senna, lançado no Brasil em novembro de 2010, traça um retrato de um homem apaixonado por seu esporte e seguro quanto a seu talento, mas frustrado com o que ele via como sendo a ingerência política em um mundo onde dinheiro e tecnologia estavam ganhando cada vez mais força.
Já campeão mundial e astro global, ele lembrava com saudades seus dias de piloto de kart no final dos anos 1970 e início dos 1980, dizendo a um entrevistador que as corridas naquela época eram puras.
Para o diretor britânico Asif Kapadia, o filme foi o primeiro documentário longa-metragem em que ele abriu mão de apresentadores e, em vez disso, focou inteiramente sobre Senna - no carro, nas pistas, em reuniões acaloradas de pilotos, cercado por fãs delirantes ou em casa com sua família e seus amigos no Brasil.
"Senti que havia algo de muito especial nessa pessoa", disse Kapadia à Reuters em entrevista por telefone.
Ayrton Senna reunia uma espiritualidade profunda, um relacionamento estreito com seus pais e integridade profissional com a vida de um galã mundial, e, pelo fato de demonstrar suas emoções nos bons momentos e nos ruins, conquistou o afeto de milhões de pessoas.
"Se você não o conhece, deveria conhecer", disse Kapadia, que fez o filme não apenas para os fãs do automobilismo, mas para o público geral. "Sua vida foi emocionante e inspiradora; ele combateu o sistema e a corrupção e defendeu muitas causas boas."
"Ele foi um sujeito especial, e aquilo que ele defendeu longe das pistas foi quase mais impressionante que sua genialidade como piloto."
Resenhas excelentes
As críticas ao documentário têm sido em geral de tom positivo.
"Às vezes um documentário comove você inesperadamente e deixa você sem conseguir respirar. Foi o que senti ao assistir a 'Senna'", escreveu Kenneth Turan no LA Times no início do ano.
O sucesso do projeto se deveu à cooperação da família de Senna e do diretor comercial da Fórmula 1, Bernie Ecclestone, ambos ricas fontes de imagens até então nunca vistas.
O espectador é levado para os bastidores e vê Senna defendendo a adoção de medidas de segurança em uma reunião acalorada de pilotos e saindo intempestivamente de outra quando acha que seus colegas pilotos se voltaram contra ele.
Também o vemos relaxando em barcos de luxo com sua família e namoradas, o ouvimos falando da desigualdade social no Brasil e ouvimos sua irmã contar como ele buscou apoio na Bíblia antes do no malfadado Grande Prêmio de San Marino, em 1994.
No desenlace dramático, Senna estava evidentemente insatisfeito com seu carro em um momento em que as equipes faziam experimentos com novos tipos de engenharia, e sua percepção de mau agouro só aumentou quando o piloto austríaco Roland Ratzenberger morreu durante os treinos de qualificação.
O médico da Fórmula 1 Sid Watkins lembra que sugeriu a Senna que deixasse de participar da prova, mas então teve que correr para a cena do acidente fatal do piloto brasileiro no dia da corrida. Ayrton Senna tinha 34 anos.
Fala-se muito no filme da rivalidade acirrada de Senna com o francês Alain Prost, com quem o brasileiro se desentendeu com frequência e que é mostrado sob ótica menos positiva, fato que foi criticado por alguns espectadores.
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