Flap traz maratona de poesia alternativa para São Paulo
Festival tem agenda de debates, leituras e saraus Casa das Rosas e no Museu da Língua Portuguesa
Agora que a Flip acabou, veio a Flap. Desde 2005, este festival de poesia alternativa, que ocorre na cidade de São Paulo, tem ajudado a inserir novos nomes nos círculos literários. Nesta edição, estão programados debates, leituras e saraus na Casa das Rosas, no Museu da Língua Portuguesa e em livrarias e teatros. Mas, antes de as atividades de fato começarem, a Flap organizou uma passeata poética na última quarta-feira à noite.
A caminhada saía da Casa das Rosas (Av. Paulista, 37) e ia até o Atelier Espaço Zero (Rua Goiás, 167). A reportagem do JT acompanhou a maratona para conferir se a ‘nova poesia’ tinha fôlego para, ao menos, cruzar a Paulista. Teve. Mas não foi uma passeata barulhenta com centenas de poetas gritando versos contra o que quer que fosse. Estavam lá apenas sete contidos poetas latino-americanos: Alejandro Mendez, 43 anos (Argentina); Amalia Gieschen, 27 (Argentina); Diego Ramirez, 27 (Chile), Pablo Paredes, 27 (Chile), Jessica Freudenthal, 31 (Bolívia), Ámbar Past, "300" (México); Eusébio Ortega, 50 (México).
"Para reunir os poetas é melhor uma caminhada noturna", justificou o produtor da Flap, Maurício Schuartz. De fato, a lua paulistana inspirou o grupo. "O sol da noite é menos forte", brincou Ámbar, a poeta de "300" anos. Apesar de pequeno, o grupo caminhava com a dignidade de um exército de Brancaleone. Observar a Paulista tendo o olhar turístico/poético do grupo foi uma experiência interessante. "O que é essa antena?", perguntou Alejandro, referindo-se a antena do prédio da Gazeta. "Tem um visual parecido com o filme Blade Runner, não é", completou o poeta.
Aliás, Alejandro foi quem primeiro declamou um poema - na esquina da Avenida Paulista com a Brigadeiro - com uma pequena pausa para um catador de papel e plástico fazer o seu trabalho. A esta altura, poetas e organizadores já tinha adotado o ‘portunhol’ como língua oficial da Flap. Mesmo com ‘muchos’ absurdos linguísticos todos se entenderam bem.
A próxima parada foi enfrente ao Trianon e perto do Masp. A poetisa boliviana Jessica foi quem leu um poema desta vez. "Essa estátua é em homenagem a quem?", perguntou ao se posicionar em frente à estátua do Bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva. "Um Bandeirante. Sim, sim, um matador de índios", resumiu Jessica.
A última parada na Paulista foi na esquina da Rua Augusta. Lá, o chileno Pablo Paredes leu alguns versos de sua autoria e se encantou com o nome da estação de metrô Consolação. Paredes é um poeta que, embora novo, tem um público bastante fiel em seu país. "Tenho leitores, mas não vivo de poesia. Também trabalho com teatro para sobreviver", explicou.
A Paulista tinha sido vencida - e já tinha poeta querendo chegar logo na última página. Mas, para completar o trajeto até o Espaço Zero, o grupo ainda devia descer a Angélica até a Rua Goiás.
No ponto de chegada, no Espaço Zero, os poetas foram surpreendidos com alguns de seus poemas reproduzidos na entrada da casa. Foi o tempo de se abraçarem, trocarem impressões sobre a caminhada e recomeçarem a declamar seus versos.
No total, foram percorridos 3,4 km (entre Av. Paulista, Angélica e Rua Goiás), uma pequena distância em comparação ao longo caminho que a nova poesia latino-americana ainda vai ter de percorrer. Principalmente, se ainda quiser transformar uma passeata de sete pessoas, em uma marcha poética de 70, 700, 7.000...
Programação
Sexta-feira
CASA DAS ROSAS
14h. Mesa de debate: Existe um muro entre a poesia e as outras linguagens? Com Ana Rüsche, Dirceu Villa, Alejandro Mendez
16h. Leitura com Annita Costa Malufe, Ana Rüsche Dirceu Villa e Alejandro Mendez
Sábado
ESPAÇO SATYROS DOIS
15h. Leitura com as poetas Ana Rüsche, Camila do Valle, Diego Ramirez e outros
Convidados.
LIVRARIA CULTURA SHOP. VILLA-LOBOS
18h. Lançamento de ‘Cámbio Climático: Panorama de la joven poesía boliviana’ e leitura com Jessica Freudenthal
Domingo
CASA DAS ROSAS
10h -16h. Oficinas de criação com Alejandro Mendez e Diego Ramirez. (Inscrições pelo e-mail flapsp2009@gmail.com)
17h Apresentação dos trabalhos das oficinas
LIVRARIA CULTURA SHOP. MARKET PLACE
15h. Leitura e sessão de autógrafos com as poetas Amalia Gieschen, Ámbar Past e Simone Brantes
Segunda-feira
FÁBRICA DE CRIATIVIDADE
16h Mesa de debate. Existe uma poesia popular e uma poesia erudita?. Com Camila do Valle, Pablo Paredes Balam Rodrigo
18h Leitura
BAR do BINHO
20h Sarau
Terça-feira
CASA DAS ROSAS
18h. Mesa de debate. Com Jessica Freudenthal, Diego Ramirez e Valeria Meiller
20h. Leitura com os três convidados da mesa
21h. Encerramento
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