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Flap traz maratona de poesia alternativa para São Paulo

Festival tem agenda de debates, leituras e saraus Casa das Rosas e no Museu da Língua Portuguesa

10 de julho de 2009 | 10h 53
Gilberto Amendola, do Jornal da Tarde

Agora que a Flip acabou, veio a Flap. Desde 2005, este festival de poesia alternativa, que ocorre na cidade de São Paulo, tem ajudado a inserir novos nomes nos círculos literários. Nesta edição, estão programados debates, leituras e saraus na Casa das Rosas, no Museu da Língua Portuguesa e em livrarias e teatros. Mas, antes de as atividades de fato começarem, a Flap organizou uma passeata poética na última quarta-feira à noite.

A caminhada saía da Casa das Rosas (Av. Paulista, 37) e ia até o Atelier Espaço Zero (Rua Goiás, 167). A reportagem do JT acompanhou a maratona para conferir se a ‘nova poesia’ tinha fôlego para, ao menos, cruzar a Paulista. Teve. Mas não foi uma passeata barulhenta com centenas de poetas gritando versos contra o que quer que fosse. Estavam lá apenas sete contidos poetas latino-americanos: Alejandro Mendez, 43 anos (Argentina); Amalia Gieschen, 27 (Argentina); Diego Ramirez, 27 (Chile), Pablo Paredes, 27 (Chile), Jessica Freudenthal, 31 (Bolívia), Ámbar Past, "300" (México); Eusébio Ortega, 50 (México).

"Para reunir os poetas é melhor uma caminhada noturna", justificou o produtor da Flap, Maurício Schuartz. De fato, a lua paulistana inspirou o grupo. "O sol da noite é menos forte", brincou Ámbar, a poeta de "300" anos. Apesar de pequeno, o grupo caminhava com a dignidade de um exército de Brancaleone. Observar a Paulista tendo o olhar turístico/poético do grupo foi uma experiência interessante. "O que é essa antena?", perguntou Alejandro, referindo-se a antena do prédio da Gazeta. "Tem um visual parecido com o filme Blade Runner, não é", completou o poeta.

Aliás, Alejandro foi quem primeiro declamou um poema - na esquina da Avenida Paulista com a Brigadeiro - com uma pequena pausa para um catador de papel e plástico fazer o seu trabalho. A esta altura, poetas e organizadores já tinha adotado o ‘portunhol’ como língua oficial da Flap. Mesmo com ‘muchos’ absurdos linguísticos todos se entenderam bem.

A próxima parada foi enfrente ao Trianon e perto do Masp. A poetisa boliviana Jessica foi quem leu um poema desta vez. "Essa estátua é em homenagem a quem?", perguntou ao se posicionar em frente à estátua do Bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva. "Um Bandeirante. Sim, sim, um matador de índios", resumiu Jessica.

A última parada na Paulista foi na esquina da Rua Augusta. Lá, o chileno Pablo Paredes leu alguns versos de sua autoria e se encantou com o nome da estação de metrô Consolação. Paredes é um poeta que, embora novo, tem um público bastante fiel em seu país. "Tenho leitores, mas não vivo de poesia. Também trabalho com teatro para sobreviver", explicou.

A Paulista tinha sido vencida - e já tinha poeta querendo chegar logo na última página. Mas, para completar o trajeto até o Espaço Zero, o grupo ainda devia descer a Angélica até a Rua Goiás.

No ponto de chegada, no Espaço Zero, os poetas foram surpreendidos com alguns de seus poemas reproduzidos na entrada da casa. Foi o tempo de se abraçarem, trocarem impressões sobre a caminhada e recomeçarem a declamar seus versos.

No total, foram percorridos 3,4 km (entre Av. Paulista, Angélica e Rua Goiás), uma pequena distância em comparação ao longo caminho que a nova poesia latino-americana ainda vai ter de percorrer. Principalmente, se ainda quiser transformar uma passeata de sete pessoas, em uma marcha poética de 70, 700, 7.000...

Programação

Sexta-feira

CASA DAS ROSAS

14h. Mesa de debate: Existe um muro entre a poesia e as outras linguagens? Com Ana Rüsche, Dirceu Villa, Alejandro Mendez

16h. Leitura com Annita Costa Malufe, Ana Rüsche Dirceu Villa e Alejandro Mendez

Sábado

ESPAÇO SATYROS DOIS

15h. Leitura com as poetas Ana Rüsche, Camila do Valle, Diego Ramirez e outros

Convidados.

LIVRARIA CULTURA SHOP. VILLA-LOBOS

18h. Lançamento de ‘Cámbio Climático: Panorama de la joven poesía boliviana’ e leitura com Jessica Freudenthal

Domingo

CASA DAS ROSAS

10h -16h. Oficinas de criação com Alejandro Mendez e Diego Ramirez. (Inscrições pelo e-mail flapsp2009@gmail.com)

17h Apresentação dos trabalhos das oficinas

LIVRARIA CULTURA SHOP. MARKET PLACE

15h. Leitura e sessão de autógrafos com as poetas Amalia Gieschen, Ámbar Past e Simone Brantes

Segunda-feira

FÁBRICA DE CRIATIVIDADE

16h Mesa de debate. Existe uma poesia popular e uma poesia erudita?. Com Camila do Valle, Pablo Paredes Balam Rodrigo

18h Leitura

BAR do BINHO

20h Sarau

Terça-feira

CASA DAS ROSAS

18h. Mesa de debate. Com Jessica Freudenthal, Diego Ramirez e Valeria Meiller

20h. Leitura com os três convidados da mesa

21h. Encerramento



Tópicos: Flap