Ir para o conteúdo
ir para o conteúdo
 • 
Você está em Notícias > Cultura
Início do conteúdo

Inglês predomina em 11 indicados no Festival de Veneza

29 de agosto de 2007 | 11h 12
AE - Agencia Estado

Essa assustou até os italianos - Veneza, o mais antigo festival de cinema do mundo, vai falar mais inglês do que nunca. Nada menos que 11 dos 22 longas selecionados para a competição pelo Leão de Ouro, o prêmio do festival, vêm dos EUA e da Grã-Bretanha. O restante com a Europa, um pouco com a Ásia, e nada para a América Latina.

Na coletiva de imprensa em que anunciou os concorrentes, o diretor do festival, Marco Müller, um romano filho de mãe brasileira e especializado em China, não se abalou com o espanto dos jornalistas presentes: ?O critério foi unicamente a originalidade e a singularidade dos candidatos?, disse. De acordo com o diretor, erra quem pensa que tudo o que vem dos EUA siga o modelo rotineiro dos blockbusters comerciais - e, claro, nesse ponto ele tem razão. Mas a sua declaração seguinte parece mais sintomática ainda: ?Acho extraordinário que sejam filmes incrivelmente inovadores e que neles haja estrelas no elenco?, disse.

Quer dizer, parece muito bom para a saúde midiática do festival que filmes como Redacted, de Brian de Palma, The Valley os Elah, de Paul Haggis, Sleuth, de Kenneth Branagh, O Assassinato de Jesse James, de Andrew Dominik, e Michael Clayton, de Tony Gilroy, estejam disputando o famoso Leão. Mas é muito conveniente, também, que nomes estelares dos seus elencos - Keira Knightley, Anjelica Huston, Bill Murray, Jude Law, Brad Pitt, George Clooney, Charlize Theron e Susan Sarandon pisem o tapete vermelho no Lido veneziano.

Nesse ponto, Veneza faz como os outros festivais do mundo - tenta se equilibrar numa corda bamba estendida entre o cinema de autor e a badalação mundana. Os filmes de empenho artístico são exigência da própria tradição de um festival que existe há exatamente 75 anos e já premiou mestres como Roberto Rossellini, Alain Resnais, Jean-Luc Godard e Luis Buñuel, Akira Kurosawa e Robert Altman. Os atores e atrizes conhecidos são exigência do mundo publicitário e das TVs, que entram com uma boa grana nesse tipo de evento e precisam do brilho alheio para iluminar seus produtos.

Se o desequilíbrio em favor dos EUA preocupa (afinal, são nada menos que nove concorrentes desse país ao prêmio principal), há motivos para esperar um grande festival neste seu 75º aniversário. Por exemplo, a presença de mestres consagrados, embora em número reduzido, entre os competidores: são os casos do francês Eric Rohmer, com Les Amours d?Astrée et de Céladon, e do egípcio Youssef Chahine, com Heya Fawda (Caos). Certamente deve ser uma experiência agradável ver um filme novo do russo Nikita Mikhalkov, sumariamente intitulado de 12. O cinema engajado de Ken Loach terá vez no Lido com It?s a Free World e, como sempre, devem vir boas surpresas do Oriente, que tem brilhado particularmente em Veneza na última década. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo