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Itália comemora 'renascimento' de seu cinema após Cannes

31 de dezembro de 1969 | 21h 00
SILVIA ALOISI - REUTERS

Enquanto a França celebra a vitória de um

filme seu no festival de Cannes, a Itália também comemora o

renascimento de seu cinema, depois de obter dois prêmios

importantes na maior competição de filmes do mundo.

"Gomorrah", um filme pesado sobre a máfia de Nápoles, e "Il

Divo", sátira da vida do ex-premiê Giulio Andreotti, levaram o

segundo e o terceiro prêmios respectivamente, ganhando o

respeito da crítica tanto em casa quanto no exterior.

Os prêmios foram um incentivo bem-vindo pelo cinema

italiano, que passou os últimos anos procurando a própria

identidade e já foi declarado como decadente.

Os prêmios aos dois filmes foram manchete na Itália na

segunda-feira, chamando mais atenção que o grande vencedor, o

francês "Entre Les Murs", do diretor Laurent Cantet.

"Se houvesse um vencedor real da competição, seria o cinema

italiano", disse Paolo Mereghetti, importante crítico do

Corriere della Sera.

"É importante convencer o público internacional -- que é a

força de Cannes -- de que nosso cinema está voando alto de

novo", disse.

O tom não poderia ser mais diferente do que o usado no ano

passado, quando os filmes italianos ficaram de fora da

competição principal em Cannes, e o diretor norte-americano

Quentin Tarantino chamou o cinema italiano de "deprimente".

"Os filmes mais recentes que vi são todos iguais. Eles

falam de meninos crescendo, ou meninas crescendo, ou casais em

crise, ou férias dos debilitados mentais", disse Tarantino em

junho, em uma entrevista.

Desta vez, os críticos dizem que "Gomorrah", de Matteo

Garrone, e "Il Divo", de Paolo Sorrentino, lançam um olhar

inovador sobre temas importantes -- a máfia e a corrupção

política.

"Em uma indústria que parecia estar acabando...de repente,

dois diretores que ainda nem têm 40 anos mostram que uma nova

geração de cineastas nasceu olhando a realidade do nosso país,

suas sombras e vergonhas, sem medo", escreveu Natalia Aspesi,

que cobriu o festival para o jornal La Republica.



Tópicos: FILME, ITALIA, CANNES