Ivan Lessa: Dan Brown - o código achado
Colunista comenta o novo livro de Dan Brown e seu lançamento na Grã-Bretanha.

O homem atacou de novo. Dan Brown. Aquele do Código Da Vinci. Muita gente boa jurou que ele não emplacava um segundão no rarefeito esquema dos superbest-sellers.
Dan Brown não é bobo. Pode ser o pior escritor mais rico do mundo, mas já deixou Jeffrey Archer para trás em número de exemplares vendidos.
Semana passada, aqui no Reino Unido, e no resto do mundo razoavelmente civilizado, foi lançado seu mais recente romance, O Símbolo Perdido. Quer dizer, capaz de Paulo Coelho ter sido, assim sem mais nem menos, desbancado do lugar permanente nas paradas de sucessos, conservando apenas a formosa cadeira que preenche na Academia Brasileira de Letras, embora passe a maior parte do tempo em sua casa na Suíça, ou um paraíso desses, bolando esoterismos e reformas ortográficas para desnortear ainda mais seus conterrâneos brasileiros.
Na terça-feira, dia 15, um armazém daqueles biguanos, o Tesco, num balcão "deste tamanho", logo ao lado do de frutas e vegetais, expôs uma batelada da mais recente incursão no mundo das vogais e consoantes do felizardo americano, e vendeu mais do que laranja e couve-flor. Venderam 19 exemplares por minuto, segundo os editores de Brown, a Transworld. Motivo não há para se duvidar deles. Num outro ponto da cidade, outro armazém, o Asda, que também vai além das latas de feijão branco cozido e do material para limpeza de cozinha, já tinha tacado ficha em torno dos 18 mil exemplares.
O sucesso é inexplicável. Inúmeras possibilidades são aventadas por técnicos alfabetizados. Entre elas a de que Dan Brown, conhecendo os limites de absorção literária de seus fregueses, escreve capítulos curtos, que não vão além das 3 ou 4 páginas, utiliza vocabulário de camisa desabotoada e sem sapatos e sempre encerra um episódio do mais recente livraço (506 páginas) com uma ponta de suspense - e que Hitchcock, no cinema, e todos os mestres do gênero, nos livros, que me perdoem o uso descuidado do termo de uma certa tradição.
Dan Brown, desta feita, deixou Nosso Senhor Jesus Cristo em paz. Voltou seu espírito maligno (e esta é uma opinião pessoal) contra a maçonaria e aqueles que a praticam via seu herói (virá aí de novo mercê cortesia e cupidez de Tom Hanks?), o simbologista Robert Langdon. Simbologista não os há, segundo minhas incursões na Google. Dan Brown botou um no mapa e pior para todos que estão pagando perto de US$ 25 para rever essa triste figura de cavalheiro.
Uma pessoa com muito pouco o que fazer deu-se ao trabalho de criar um software para computador destinado à terrível missão de contar os dez adjetivos mais empregados por Dan Brown em sua (risos) "obra". São eles, na ordem decrescente: escuro, leve, religioso/a, grande, famoso, secreto, enorme, feminino, francês e vermelho.
Já que o software estava por ali dando sopa a mesma pessoa empregou o mesmo software nos escritos de James Joyce. A saber, e na mesma ordem decrescente: bom, pequeno, novo, escuro, leve, vermelho, verde, azul e lindo.
Empataram, Brown e Joyce, na cor vermelha. Curioso. No meu entender de simbologista e teorista conspiratório isso significa que...
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