Jericoacoara-CE será palco de festival de choro e jazz

Um paraíso a 305 quilômetros de Fortaleza se transformará, a partir do dia 30 de novembro, no refúgio da música instrumental brasileira. Até o dia 4 de dezembro, 11 atrações passarão pela segunda edição do Festival Choro e Jazz Jericoacoara, com músicos como Hermeto Pascoal, Arismar do Espírito Santo, Yamandú Costa, Dori Caymmi, Renato Braz e o francês Richard Galliano, Banda Mantiqueira, entre outros. Quem abrirá o festival será Giuliano Eriston, um garoto de 13 anos, que mora em Jericoacoara e detona na guitarra e no bandolim.

ROGER MARZOCHI, Agência Estado

11 Novembro 2010 | 13h01

Mas apesar do sucesso da primeira edição, no ano passado, o governo do Ceará não patrocinou o evento neste ano, faltando R$ 165 mil para fechar as contas. Antonio Ivan Santos da Silva, organizador do festival, que diz que só é chamado pelo nome quando o assunto é cobrança, continua na batalha. "Ligam em casa e chamam o Antonio Ivan, eu já perguntou: quanto é", brinca. Mas na pele de "Capucho", apelido que recebeu na infância, partiu ontem à noite de São Paulo para Fortaleza, para uma nova tentativa de levantar recursos para o evento. A assessoria de imprensa da Casa Civil do governo do Ceará não encontrou o requerimento de patrocínio para o evento. Capucho afirmou que fez contatos com a Casa Civil e mandou mais de 20 e-mails cobrando.

"Vai rolar do mesmo jeito, mesmo se não tiver essa grana. Mas vamos ter que cortar custos, cortar a filmagem dos shows, por exemplo. Tem que tirar alguma coisa. Mas a qualidade musical não vai cair", afirmou, em entrevista ontem, por telefone. Quem patrocina a segunda edição é a Chesf, o Banco do Nordeste (BNB), a Eletrobrás, e hotéis da cidade. "Tem outros patrocínios. Mas virão aqui, além dos turistas, diretores de outros festivais dos Estados Unidos, Alemanha, Macedônia... isso também é uma forma de divulgar o Estado. Eles (o governo do Ceará) não se deram conta disso."

Além dos shows, também serão realizadas aulas gratuitas e debates para estudantes de música, que podem se inscrever por meio do site do festival (www.chorojazzjericoacoara.com.br). Neste ano, serão dez professores, todos feras da música instrumental, como Maurício Carrilho (violão), André Marques (piano), Toninho Carrasqueira (flauta), entre outros. Foi numa dessas aulas, no ano passado, que se destacou o garoto Giuliano. Nascido em Bela Cruz (CE), ele começou a tocar violão aos seis anos e já vive profissionalmente da música se apresentando em bares da cidade com seu pai e, também, em outras formações.

No ano passado, participou de oficinas com Toninho Horta, Arismar e o contrabaixista Sizão Machado. "Após os shows, rolavam jam sessions à noite. E ele intimava o Arismar: ''e aí gordo, vamos tocar?'' Ele é muito talentoso, estraçalha a guitarra", disse Capucho. "Não é bem assim, a história está mal contada", riu o menino, em entrevista ontem, também por telefone, antes de pegar o caminho da escola. Ele adora história e português, não repete de ano, mas será, quando crescer, o que já é: músico. Giuliano já tem pronto o repertório do show de abertura. Tocará "Guriuma" e "Nena e Elisa", músicas de sua autoria. Também tocará "Bananeira", de João Donato, e ainda "Frevo da Constância", de autoria de seu pai, Ricardinho, que lhe ensinou os primeiros acordes no violão.

Educação musical - Capucho se entusiasma quando o assunto é educação musical. Para ele, mais importante que ensinar um instrumento na escola, como a flauta doce por exemplo, é incentivar as crianças a conhecerem a história dos grandes nomes da música brasileira. "Muitas vezes, seria melhor deixar as crianças ouvirem, na sala de aula, Pixinguinha e Villa-Lobos, depois contar a história deles que ensinar flauta. É preciso formar ouvintes para a música", disse. Ele, aliás, já levava boa música ao seu filho, ainda na barriga da mãe. "Desde a gravidez, meu filho já ouvia Radamés Gnattali" No ano passado, cerca de mil pessoas participaram do Festival e, a esperança de Capucho, é que o público cresça a cada ano.

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