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Leilão de Damien Hirst em Londres começa com recordes

15 de setembro de 2008 | 18h 14
DAVID CLARKE - REUTERS

O touro de Damien Hirst num tanque de

formol e com a cabeça coroada por um disco de ouro foi

arrematado por 10,35 milhões de libras (18,6 milhões de

dólares) na segunda-feira, um recorde em leilões de um dos

maiores nomes do mundo da arte contemporânea, informou a casa

Sotheby's.

O artista plástico de 43 anos causou espanto no mundo das

artes quando anunciou que 223 obras novas suas seriam leiloadas

pela Sotheby's em Londres, no primeiro leilão de massa desse

tipo de um artista de renome.

As obras oferecidas no leilão de dois dias, intitulado

"Beautiful Inside My Head Forever" (Lindo em Minha Cabeça para

Sempre), foram criadas nos últimos dois anos, e a expectativa é

que rendam mais de 65 milhões de libras.

Elas incluem os animais conservados em formol que são a

marca registrada de Hirst, pinturas de borboletas e de pontos,

variações sobre armários de comprimidos e desenhos

preparatórios.

O preço pelo qual foi arrematado "O Bezerro de Ouro", o

touro cujos cascos e chifres também são moldados em ouro 18

quilates, estava dentro do valor estimado antes do leilão, de 8

a 12 milhões de libras.

Mas várias das primeiras obras que foram arrematadas na

segunda ultrapassaram em muito seu valor estimado.

TUBARÃO

"The Kingdom" (O Reino), um tubarão suspenso num tanque de

formol, foi vendido por 9,56 milhões de libras, muito acima da

estimativa de entre 4 e 6 milhões. "Afterlife", uma pintura de

borboleta, foi arrematada por 1,39 milhões de libras, o dobro

da estimativa prévia de entre 500 mil e 700 mil libras.

O recorde anterior de Damien Hirst em leilões foi seu

armário de comprimidos "Lullaby Spring" (Primavera de Canção de

Ninar), vendido por 9,65 milhões de libras em 2007.

Hirst nunca hesitou em misturar criatividade com dinheiro,

ignorando as acusações de que produz apenas pelo lucro.

Ao levar suas obras diretamente para a casa de leilões, ele

eliminou a comissão normalmente recebida pelas galerias de

arte, que, segundo ele, é extorsiva, podendo chegar a 50 por

cento.

Ele argumentou que, se o leilão levantar dezenas de milhões

de libras, num momento em que o mercado de arte está em alta

apesar do desaquecimento do resto da economia, isso pode atrair

mais pessoas para a arte.

Hirst também vem sendo desancado por alguns críticos

importantes, entre eles o australiano Robert Hughes, que tachou

sua arte de "cafona" e "absurda".

O leilão coincide com o 20 aniversário da exposição Freeze,

em Londres, que lançou a carreira de Hirst e alguns de seus

colegas do grupo dos "jovens artistas britânicos".



Tópicos: ARTE, HIRST, LEILAO