Letícia Genesini lança livro de poesias 'Entre' nesta sexta-feira
Segundo trabalho da escritora tem referência em Paulo Leminski e inspiração no mar
SÃO PAULO - Letícia Genesini lança nesta sexta-feira, 30, seu novo livro. Aos 24 anos, a escritora apresenta sua segunda compilação de poesias em Entre - seu primeiro trabalho, Umponto, foi lançado em 2009.

Estudante de design gráfico na Itália, a autora cursou por três anos e meio a faculdade de Letras na USP, mas revela que a intenção era ingressar no mercado acadêmico. "Escrever para mim é uma coisa natural. Ser escritor é uma profissão rara".
O processo para lançar Entre foi baseado nessa naturalidade. "Eu escrevo sempre, é uma coisa que eu sempre fiz". Como em Umponto, Letícia juntou textos que já tinha escrito."No livro há poemas de dez anos atrás", conta.
O jogo de palavras no título é proposital. Uma brincadeira entre o sentidos possíveis: entre, como no meio de uma coisa e outra, e o verbo entrar, um convite ao aprofundamento, um mergulho. Uma pitada temática inspirou o nome e também está presente na obra: o mar, recorrente nos poemas portugueses, a música e o samba.
Qual a diferença desse livro para o Umponto? "Boa pergunta", brinca a escritora. "O primeiro era uma tentativa, para descobrir o meu estilo", explica. Segundo Letícia, o estilo foi mantido, mas houve amadurecimento "mudei algumas coisas, que eu não faria a dois anos atrás".
Nos mais ou menos 50 poemas de Entre, a proximidade dos assuntos ajudou a dar a liga, embora não haja uma unidade completa. O que há em comum em todos é "a linguagem e o modo de pensar e falar". Influenciada principalmente pela poesia brasileira, Letícia explica que na hora de revisar os textos se inspirou em seu autor preferido, Paulo Leminski. "Não queria me comparar a ele, mas queria uma linguagem como a dele, leve".
"Às vezes coloco um texto no Facebook só pra não esquecer e aproveito pra ver o que as pessoas acham, se alguém comenta. Não acredito nos artistas que dizem que escrevem pra eles mesmos. É uma coisa pessoal, mas queremos saber se os outros gostaram". Perfeccionista, confessa: "mas só quando está pronto". Por essa razão, seus poemas só podem mesmo ser lidos em um de seus livros. Seus versos saem em um caderno quando vem a inspiração, e as vezes ficam por lá sem terminar. Publicar o que foi escrito é uma forma de encerrar um trabalho. "A gente publica o poema para parar de escrever, como dizia Manuel Bandeira, senão não para nunca".
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