Livro apresenta a produção da ceramista Kimi Nii
Se no Brasil a cerâmica é vista apenas como a criação de utilitários, a obra de Kimi Nii nos revela que essa arte milenar pode guardar em si muito mais, ser a técnica de base para peças de extrema sofisticação, escultóricas. "Fundamentalmente, Kimi une a tradição oriental da cerâmica e o melhor do construtivismo brasileiro", afirma o crítico e repórter especial do Caderno 2 Antonio Gonçalves Filho, autor do livro "Kimi Nii", que será lançado hoje, a partir das 19 horas, no Instituto Tomie Ohtake.
A ceramista não faz apenas a ponte entre a arte criada com a argila e a escultura de mestres como Amilcar de Castro e Sergio Camargo: sem medo de correr riscos, Kimi Nii ainda se lança, em suas obras, a dialogar com vertentes diversas como o cubismo europeu, a pintura metafísica de Giorgio Morandi, as peças de Anish Kapoor e de Brancusi, enumera o crítico. Por outro lado, a ceramista também se dedica à "geometria orgânica" ao conceber trabalhos que remetem a formas de flores ou do capim.
O livro é a primeira edição sobre a produção da ceramista. Tem a qualidade de possibilitar a apreensão abrangente e adensada das obras de Kimi Nii, realizadas desde a década de 1970. Nascida em Hiroshima, no Japão, em 1947 - dois anos após a bomba atômica -, ela se mudou para o Brasil quando menina, em 1957. Formada em desenho industrial pela Faap, Kimi criou suas primeiras obras por meio da arte da cerâmica entre 1977, quando fez aulas com Massayuki Sato, e 1978 ao montar uma pequena oficina com a prima Yae Takeda. Não parou e hoje é considerada uma das melhores do País.
O crítico Antonio Gonçalves Filho, que acompanha a trajetória da ceramista há cerca de 30 anos, afirma que Kimi Nii nunca quis fazer "arte decorativa". "Seu diálogo com a obra de outros artistas não é imitativo", define o autor. Para ele, é possível ver toda uma narrativa da história da arte do século 20 por meio das leituras que a criadora faz de mestres referenciais, diversos, em sua obra. "Seu olhar é educado; tudo o que produz é dedicado e delicado", completa o autor. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Kimi Nii - Instituto Tomie Ohtake (Av. Faria Lima, 201). Tel. (011) 2245-1900. Hoje, às 19 h. Preço: R$ 97.
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